Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 11/06/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação. Contudo, a aplicação de maneira displicente do ENEM digital impossibilita que uma parcela da população desfrute desse direito, e do acesso à universidade, na prática. Nesse contexto, não há duvida de que a aplicação dessa prova digital é um desafio; o qual ocorre devido não só as desigualdades de acesso à internet, mas também a falta de infraestrutura.
Em primeira análise, as desigualdades no acesso à internet é um desa-fio na aplicação do ENEM digital. Pois, mesmo as provas sendo aplicadas em locais específicos, não são todos os inscritos que têm acesso a computadores com internet para preparar-se. Uma pesquisa do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra isso, apenas 42% das classes D/E têm acesso a rede, em contra ponto, 90% das classes A/B são usuárias de internet. Ou seja, caso mazelas mais profundos de desigualdades não seja resolvidas, a aplicação do ENEM digital apenas afirmará diferenças sociais.
Ademais, há desconfiança dos estudante que haverá estrutura para comportar os milhões de candidatos do ENEM. Visto que, o INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa, órgão federal que aplica a prova, não dá devida transparência as suas provas impressas, ou seja, é de se esperar o mesmo na avaliação digital, pois o Instituto não demonstra que esse tratamento mudará. A consequência disso, é a possível alteração de gaba- baritos, notas ou informações pessoais por parte de hackers associados a quadrilhas que fraudam vestibulares. Isso fomenta a descrença dos estudantes nessa possível prova digital.
Portanto, é fato que o ENEM digital será implantado e sanar seus erros é o principal objetivo. Para isso, o Ministério da Educação, deve investir na transparência do sistema de notas, por meio de ouvidorias para estudantes junto aos docentes contestarem suas notas, afim de aumentar a credibilidade da prova perante os inscritos. Empresas privadas, do ramo da internet, com isenção fiscal do Estado, ofertem internet gratuita a classes menores, com a finalidade de acesso para aqueles que não possuem condição financeira. Para que assim, a Declaração Universal dos Direitos seja respeitada e que o ENEM digital possa ser implantado sem ressaltar tantas desigualdades.