Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 14/06/2020
Desde de 1994 os estudantes de ensino médio dinamarqueses utilizam “notebooks” para realizar o vestibular do país. Nesse contexto, uma vez que mais de 90% da população tem acesso à internet, a assessora do Ministério da educação, Steen Larsen, comenta que no dia da prova quase todos os alunos estão equipados e levam seus próprios dispositivos, caso contrário, a escola lhes emprestam. Entretanto, tal cenário não é encontrado no Brasil e a perspectiva de que até em 2026 o Enem seja inteiramente digital não é coerente com tal realidade. Nesse viés, o desafio de que a familiaridade e o acesso aos meios tecnológicos, juntamente com a precariedade e indisponibilidade de computadores escolares, são condições que necessitam destaques.
Em primeiro plano, tem-se que o alcance das tecnologias básicas não são igualitárias em todo o território brasileiro. Isso ocorre, devido a precariedade das mesmas, o que leva a um analfabetismo tecnológico de informações, já que sem um contato prévio, na primeira tentativa de incrementação se vê uma necessidade de ensino do funcionamento, para que haja uma certa adaptação. Nesse sentido, e em um universo oposto daquele encontrado na Dinamarca, segundo o IBGE, no Brasil uma em quatro pessoas não tem acesso a internet. Dessa forma, evidencia-se um quadro contraditório: de um lado o objetivo de um novo modelo digital e do outro a sequer disponibilização de uma ciência corriqueira.
Ademais, em um cenário alternativo, com o novo modo de aplicação do Enem em funcionamento, nota-se que o acesso de computadores em todas as escola se torna uma nova problemática. Ao se observar as instituições escolares que aplicam a prova impressa, tem-se que muitas estão em situações precárias e/ou com dificuldades elétricas, tornando-a impossibilitada, o que leva a consequência de uma diminuição dos locais que aplicam tal exame. Nesse raciocínio, uma pesquisa realizada pelo PISA, em 2015, mostra que somente 28,3% dos estudantes brasileiros afirmam ter disponibilidade de computadores nas escolas, porém dos mesmos 20,19% comentaram que não o utilizam. Desse modo, a digitalização do Enem se torna um meio inviável e desigual.
Diante do mencionado, cabe uma intervenção que reverta tais fatos. Dessarte cade ao Ministério da Educação – encarregado do estudo e despacho de todos os assuntos relativos ao ensino -, com o financiamento do Governo, uma reforma na educação, tornando-a mais tecnológica por meio do incremento de “laptops” nas instituições escolares, visando que com o aparelho em mãos os alunos se familiarizem e se torne aptos para um novo modelo educacional. Para que, assim, tal prova se torne acessível para todos os vários estudantes que realizam as incrições.