Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 26/06/2020
Iniciada na segunda metade do século XX, a Revolução-Técnico-Científica-Informacional foi responsável pelo avanço no campo de informática e telecomunicações. No entanto, embora seja primordial a modernização em outros setores, como educacionais, econômicos e rurais, é visível que, no panorama atual do país, a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) encontra problemáticas vigentes. Nessa perspectiva, seja pela desigualdade social enraizada no Brasil, seja pela falta de infraestrutura, faz-se indispensável a adoção de estratégias para reverter esse cenário.
Sob um primeiro viés, é lícito postular o contraste socioeconômico presente no Brasil. Segundo Milton Santos, célebre geógrafo brasileiro, a globalização atinge todo o mundo, mas não a todos os lugares. Nesse raciocínio, é notório que, com a versão digital do ENEM, haverá o aumento da taxa de desigualdade nacional, haja vista que milhões de famílias não possuem acesso à internet e, dessa forma, sobretudo alunos oriundos de redes públicas e famílias menos favorecidas economicamente, não possuem conhecimento para manusear os aparelhos tecnológicos. Por conseguinte, há o empecilho de se adaptar com novas ferramentas e o futuro atraso na escrita da redação, que conta com uma boa habilidade na manipulação do teclado. Logo, é imprescindível a dissolução dessa conjuntura.
Outrossim, é mister salientar a falha estrutura das escolas públicas. De acordo com Dados do Censo Escolar de 2018, entre as redes de ensino médio, 15% não têm acesso a banda larga, 21,9% não contam com laboratórios de informática e 4,9% não possuem qualquer tipo de internet. Isso decorre, principalmente, da falta de investimentos em ambientes adequados que, nesse contexto, visam acomodar os equipamentos digitais que estão introduzidos nas redes privadas e disponibilizar conexão no local. Dessa forma, inúmeros centros educacionais não são propícios para a realização da prova, uma vez que não há suporte para atender a demanda de computadores necessários. Por isso, torna-se primordial a adesão de medidas que visem extinguir esse obstáculo.
Destarte, é inegável que o Brasil enfrenta impasses para a implantação do ENEM digital. Para tanto, o Programa Banda Larga nas Escolas, feito pelo Ministério da Educação em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações, deve ser ampliado, com a utilização de verbas e por meio de tecnologias, para que haja maior distribuição de conectividade em redes públicas, a fim de democratizar o acesso à internet e melhorar o aprendizado. Ademais, cabe às prefeituras, em conjunto com os governos estaduais e federal, designar, através do uso de recursos financeiros, reformas nos colégios, com o intuito de possibilitar que comportem computadores para efetivar a prova digital de maneira correta. Só assim, como dito por Milton Santos, a globalização poderá alcançar mais lugares.