Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 30/06/2020
A citação de Nicolau Maquiavel: “não há nada mais difícil ou perigoso do que tomar a frente na introdução de uma mudança”, pode ser atribuída ao processo gradativo de substituição do ENEM Impresso por uma versão informatizada. Em outras palavras, o INEP implementou, em de 2020, aproximadamente 50 mil vagas para a promoção de avaliações pelas plataformas eletrônicas visando substituir as provas impressas até 2026. Entretanto, essa alteração apresenta aspectos positivas e negativas. À vista disso, urge o dever de debater sobre as perspectivas e desafios do ENEM Digital.
Em primeiro lugar, uns dos principais beneficiados com a informatização desse são a economia do país e o maio ambiente , pois consoante o Ministério da Educação, o Exame Nacional do Ensino Médio de 2019 custou mais de 500 milhões de reais e foram impressos mais de 10,2 milhões de provas, todavia, a adoção de provas via computador diminuirá os custos e o consumo de papel. Além disso, um outro fato positivo da introdução dessa mudança, é o proporcionamento de recursos alternativos, tais como vídeos e jogos, ou seja, esse permite a formulação de questões mais interativas, o que expande o leque de perspectivas para a elaboração das avaliações.
Entretanto, o ENEM Digital também obtém alguns desafios tendo em consideração as adversidades com infraestrutura, tal como: dificuldades para garantir locais com computadores - principalmente nas regiões mais isoladas e precárias, onde a exclusão digital é uma problemática vigente. Ademais, no que tange no assunto da distribuição desigual do acesso aos meios tecnológicos, pode-se dizer que o número de estudantes de escolas privadas que possuem computador em casa é superior aos das redes públicas, segundo o MEC, o que pode vir a prejudicar o aluno durante a prova online, pois talvez esse não adapte-se à aplicação virtual.
Portanto, para solucionar os desafios do ENEM Digital, cabe ao INEP , associadamente ao IBGE, mapear as regiões brasileiras onde há exclusão digital, por meio de pesquisas de cunho social, na qual os pesquisadores inspecionem essas áreas isoladas por intermédio de entrevistas sobre a disponibilidade dos meios tecnológicos, e dessa forma o governo disponibilizaria meios para a realização da avaliação. Alem disso, é necessário que o Ministério da Educação promova treinos, nas escolas, ensinando a usufruir da plataforma digital, na qual as provas serão realizadas, para que os estudantes possam se adaptar a essa inovação. Assim, essa mudança, com o tempo, deixará de ser vista pelos vestibulandos como algo perigoso, mas, sim, como fruto da evolução humana.