Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 26/06/2020

Durante o período da Guerra Fria, em 1969, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos criou um sistema de compartilhamento de informações entre pessoas geograficamente distantes. A Arpanet, como foi nomeada a rede, era uma garantia de que a comunicação entre militares e cientistas seria possível até mesmo em casos de bombardeiro. Com a Globalização, no início do século XXI, a internet foi aprimorada e diversas novas tecnologias surgiram e, com elas, novas possibilidades, como por exemplo o Enem Digital, projeto que apresenta melhorias, mas também desafios.

No que tange aos avanços encontrados por meio do formato virtual do exame, está a preservação do meio ambiente. De acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Educação, em 2018 foram impressos cerca de 11 milhões de cadernos de questões, o que gera um volume de duas mil toneladas de papel que, após a prova, são descartados. Como país detentor da maior floresta tropical do mundo e de acordo com a lei que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, é obrigação do governo brasileiro perpetuar a diversidade de ecossistemas e a promoção do desenvolvimento sustentável a partir dos recursos naturais. Assim sendo, o desmatamento e o descarte de papel que ocorrem por conta da prova devem ser ao máximo evitados.

Apesar de colaborar com a natureza, o Enem Digital pode contribuir também para o agravamento da desigualdade social, uma vez que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, apenas um a cada quatro brasileiros, o que representa em torno de 46 milhões de pessoas, têm acesso à internet e, por consequência, teria acesso ao exame virtual caso precisasse. Além disso, é notável a discrepância de recursos entre escolas públicas e privadas, dados os cortes feitos na área da educação pelo atual governo do país. Dessa forma, conclui-se que o formato digital favoreceria candidatos de melhor situação financeira e discriminaria aqueles advindos do interior e de escolas públicas, contrariando a Constituição Federal, que trata a educação como direito de todos.

Sob tal perspectiva, medidas urgem ser tomadas para evitar o prejuízo de milhões de estudantes e do meio ambiente. Sendo assim, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), juntamente ao Ministério do Meio Ambiente, deve conscientizar os candidatos acerca do descarte dos cadernos de questões já por meio do edital da prova e estabelecer pontos de coleta seletiva afim de reciclar o papel utilizado e minimizar os impactos ambientais. Além disso, o Poder Executivo deve fornecer a verba necessária para que o Ministério da Educação possa equipar as escolas do Estado e garantir a todos os estudantes o que é deles por direito: acesso a educação de qualidade e recursos para que possam ingressar no Ensino Superior.