Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 26/06/2020

Desde quando foi anunciado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira como uma das novidades no Exame Nacional do Ensino Médio, a aplicação de provas digitais, muito se discute sobre. A princípio, o que se espera com esse novo método além de uma modernização, é que haja uma diminuição nos impactos ambientais, porém existem alguns dilemas sociais quando se trata desse assunto.

É evidente que há uma vantagem ecológica. Todos os anos são impressos milhões de provas, de acordo com o Ministério da Educação, só em 2019 foram impressas mais de 10,2 milhões de provas para o Enem tradicional, o que gera um uso absurdo de papel que depois é descartado. Com o Enem digital, isso não aconteceria e não haveria mais uma preocupação com o largo consumo de papel e o impacto que ele causa no meio ambiente.

Em contrapartida, a versão digital do exame irá reproduzir uma desigualdade já existente no Brasil. Segundo uma pesquisa realizada pelo IDados, alunos de redes privadas têm mais acesso e habilidade com tecnologia do que os de redes públicas. Isso pode não parecer um problema uma vez que, os candidatos não farão as provas em suas casas, porém é necessário tempo e preparo para que os mesmos estejam adaptados. Certamente, aqueles que já possuem o costume de utilizar um computador, estarão em vantagem.

Portanto, é preciso que haja uma maior responsabilidade do Estado quanto à questão da desigualdade. O Estado poderia promover provas digitais durante o ano, afim de ser um treinamento, principalmente para aqueles que não têm acesso à internet. Além disso, o primeiro Enem digital poderia ser destinado para estudantes que ainda não concluíram o ensino médio e logo, não dependem da nota naquele ano, visto que a prova digital por ser uma novidade, pode não dar certo.