Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 26/06/2020
Concomitante ao pensamento do filósofo Zgymunt Bauman, hoje, em especial com o surto do vírus COVID-19, a modernidade líquida apresenta-se como uma realidade indiscutível. A dependência dos aparatos eletrônicos fez-se presente desde o home office ao ensino a distância, porém essa não é a realidade de todos, especialmente no Brasil. É certo e comprovado que cerca de 20% da população canarinha não tem acesso a internet, e, dentre os que tem, grande parte usufrui de internet de baixa velocidade. Essa situação caracteriza um quadro de desigualdade inquestionável que deve ser levado em consideração no cenário de aplicação do ENEM virtual.
Observa-se que, desde o evento da Revolução Industrial e o surgimento do capitalismo, as relações interpessoais, sociais e econômicas vem se modificando e se fragilizando. É inegável a praticidade e rendimento oriundos desses eventos, entretanto, é incontestável também as mazelas trazidas por eles. No contexto abordado, a desigualdade de poder aquisitivo na sociedade brasileira atual explicita também o porque de repensar a questão da aplicação de um vestibular via internet.
As relações de trabalho e a concentração de poder aquisitivo ilustram a sociedade brasileira atual, especialmente com a flexibilização das relações trabalhistas propostas hoje. Poucos são os que tem acesso a internet de qualidade, e com a recessão hodierna, menos ainda tem como manter esse luxo. Isso restringe ainda mais o acesso a universidade, visto que haverá uma elitização ainda maior no processo de aprovação.
Portanto, é imprescindível repensar a aplicação de um ENEM virtual, isso através de discussões abertas ao público realizadas pelo Ministério da Educação, é importante também garantir de alguma forma o acesso a internet a todos os candidatos, pois de outra de forma seria comprometida a equidade da participação dos vestibulandos