Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 27/06/2020
No Brasil, segundo o levantamento feito pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, 4 milhões e 800 mil crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos não possuem acesso a Internet. Eles correspondem a 17% do total de pessoas nessa idade, o que demonstra que o país não é uniforme, havendo bastante desigualdade quando se trata de acesso a uma rede de qualidade, e também ao potencial de penetração da educação nos rincões do Brasil.
Em primeiro lugar, é necessário pontuar que a desigualdade não é a única disfunção do Enem Digital. Pode-se citar também a possível falta de infraestrutura dos locais que foram selecionados para a realização da prova, que podem não ser ideais, suscetíveis a causar problemas nas notas dos estudantes. Outrossim, o fato de que o Exame na Internet pode ficar vulnerável a ataques de hackers durante a execução, influenciando assim nos resultados obtidos é um ponto a se destacar.
Em contrapartida, as vantagens são consideráveis, como a redução nos impactos ambientais, com a impressão de menos provas que atualmente são descartadas logo que o estudante sai da prova, e assim diminuindo o desmatamento para a produção de papel. Pode-se citar também a diminuição no preço, que tem se tornado inviável para muitas pessoas. Sem a impressão, o Exame pode ficar mais barato, pois seriam considerados apenas os gastos com luz e pessoal.
Recai sobre o INEP e o Ministério da Educação, portanto, a curto prazo, a fiscalização com respeito aos possíveis ataques de hackers e a seleção de locais que sejam favoráveis aos estudantes. A longo prazo, é dever do Ministério fomentar a inclusão digital, para que diminua, a cada edição do Enem Digital, o índice de estudantes que não têm condições para fazer a prova. Cabe aos estudantes, o comprometimento e a idoneidade, para que seja feita uma prova justa e sem problemas.