Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 29/06/2020
O ministério da educação (MEC) tomou a decisão de aplicar o ENEM (exame nacional de ensino médio) digital a partir do ano de 2020. A justificativa de acordo com o MEC seria que o formato digital reduz custos, melhora a segurança e agiliza a correção das provas. Além disso, será possível incluir questões mais “interativas”, com o uso de vídeos e infográficos. Mas seria essa a melhor opção? Levando em consideração o valor para a obtenção de computadores para cada um dos candidatos, e, as disparidades econômicas que beneficiariam um grupo de vestibulandos que tem um maior acesso a tecnologia. Este se torna um assunto facilmente questionável.
Para que a adesão deste novo modelo do Enem seja feita de forma efetiva, faz se necessário alto investimento em infraestrutura dos locais designados para aplicação das provas. Seja para a obtenção dos computadores e/ou certificação que não haverá problemas na rede elétrica. O que na verdade aumentará muito os custos com o vestibular. Fora a obsolescência tecnológica e faz necessário reparo ou total substituição do maquinário novamente aumentando os gastos e o descarte de lixo eletrônico.
Com a aplicação do Enem digital outra disparidade é revelada: o acesso desigual a tecnologia. Muitos vestibulandos terão como se preparar fazendo um treinamento pelo computador de sua casa, assim estando adaptados e confiantes com o modelo de avaliação. Entretanto, há um grupo que não tem ligação a esse “mundo digital”. Segundo um estudo feito pelo IBGE (instituto brasileiro de geografia e estatística) em 2018, um em cada quatro brasileiros não tem acesso a internet. Tornando assim o modelo injusto pois irá favorecer um grupo determinado de candidatos
Recai sobre o ministério da educação, portanto, o compromisso de administrar com mais consciência suas mudanças levando em consideração o panorama socioeconômico do Brasil. Pois somente assim medidas igualitárias e justas podem ser tomadas.