Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 03/07/2020

“Nosso egoísmo é, em grande parte, produto da sociedade.”, era assim que Émile Durkheim definia o egocentrismo que cada ser humano obtém, por conseguinte da comunidade. Analogamente, pensamento comum com o de Zygmunt Bauman, que firma em dizer que esse individualismo ocorre, por conta do avanço da tecnologia. Indubitavelmente, a globalização permanece em constantes avanços - seja social, econômico ou político. Contudo, no contexto contemporâneo, a educação renova-se constantemente e o Brasil acompanha o crescimento dos países desenvolvidos, por isso, iniciará em dois mil e vinte - a opção - do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) Digital.

Todavia, essa avaliação possui diversas perspectivas e desafios, já que o país tropical continua subdesenvolvido - isto é - não possui autonomia para oferecer computadores aptos para todos os estados do território. Inquestionavelmente, segundo Censo Escolar, oitenta e dois por cento das escolas públicas de ensino médio têm aulas de informática e noventa e quatro por cento, acesso à internet, porém, isso não significa que tais eletrônicos fornecidos são de alta qualidade e coincidem com a demanda de pessoas. Ademais, grande parte dos jovens têm o conhecimento da tecnologia do celular, e não do computador, ou seja, a falta de familiaridade do participante, pode afetar na sua competência durante a prova.

Outrossim, a probabilidade de vazamentos aparenta ser maior do que o Enem impresso, por conta de “hackers”, por isso, um outro obstáculo dessa avaliação digital seria o aumento de fiscalizadores, além de professores, devido ao banco de questões - um processo demorado e caro. Entretanto, as concepções do novo modelo, seriam boas, pois diminuiria os gastos com papel, favorecendo o meio ambiente, além do mais, a possibilidade de fazer a prova outro dia. Como também, a facilidade da redação (um impacto para os alunos que fazem presencialmente, em virtude do tempo), já que é digitalizada, aliás, as propostas de questões são divergentes do papel, isso significa que vídeos, infográficos e lógica de games estão presentes no digital.

Portanto, é notório que a mudança do Enem impresso para o digital - de opcional à obrigatório - sucederá, devido ao avanço constante da tecnologia. Entretanto, o Ministério da Educação (MEC), fundador de tal exame, deve proporcionar - com o auxílio das verbas do Governo - computadores em todas as regiões (urbanas ou rurais) do país e aulas de informática grátis ou nas escolas, para os que não possuem condições e até mesmo, aqueles que têm precário conhecimento tecnológico. Desse modo - com tais ações - a sociedade individualista e desigual que Durkheim e Bauman se referem, seria diferenciada.