Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 29/06/2020
O filme “Matrix”, conhecido por englobar a tecnologia, tenta relacionar tópicos da computação fazendo analogias ao corpo humano. Fora do contexto cinematográfico, é indubitável que os avanços do mundo globalizado corroboram para a evolução dos métodos tradicionais, o qual o homem já está habituado. Tal lógica implicou na realização do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), que ganhou uma versão digital, sendo permanente a partir de 2026. Diante disso, cabe analisar os entraves nesse novo modelo de prova e, também, as perspectivas para tal mudança.
Primeiramente, vale destacar que mais de 64% dos brasileiros não sabem ou não querem usar a internet, de acordo com a Fundação Getúlio Vargas. Desse modo, a implementação de uma prova totalmente digital, com a proporção nacional do ENEM, fomenta as dificuldades de adaptação dos indivíduos que não têm facilidade no uso desse sistema. Por outro lado, fraudadores especializados em tecnologia podem cogitar a ideia de realizar um tipo de “estelionato de questões” e terem vantagem sob os demais participantes. Tais desafios farão manutenção de uma estrutura de injustiça e acirrarão a desigualdade para conquista de uma vaga na universidade.
Em segundo plano, é importante entender que a opção do Ministério de Educação para esse novo modelo de prova teve diversas perspectivas, dentre essas a diminuição de gastos para impressão e para os setores coordenadores do exame. Logo, presume-se que o custo para inscrição irá diminuir, estimulando a população a realizar a prova. Contudo, cabe parafrasear o filósofo Baruch Espinoza, que explica como toda ação de alguém tem um reação no corpo social. Nesse sentido, as atitudes do Estado de adotar o ENEM digital afetam os estudantes e podem diminuir o potencial desses ou, até mesmo, aumentar - para os que já estão adaptados e inseridos nesses sistemas desde cedo.
Portanto, para diminuir os entraves que são esperados a prova digital, faz-se necessário habilitar medidas. Para tanto, o MEC deve fazer uma parceria com a Polícia Federal, o que incluirá uma intensa fiscalização desde o momento de inscrição até o dia de realização do exame. A fim de evitar o “estelionato de questões” por parte dos hackers e não aumentar os níveis de injustiça em escala exponencial. Além disso, as instituições escolares precisam fazer uma reforma de base, por meio da distribuição de computadores em todas redes públicas e, também, gerando capacitação dos alunos para realizarem os testes por esse sistema. Assim, quando o ENEM ocorrer, esses já estarão ambientados com o novo modelo e os desafios quanto à realização serão melhor equiparados entre os que têm acesso à redes de tecnologia em casa e os que não possuem.