Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 30/06/2020

Nas três primeiras Revoluções Industriais, os avanços tecnológicos foram completamente renovadores e importantes para a construção de um mundo mais interligado e dinâmico. Agora, na quarta revolução, a chamada “Era digital”, o desenvolvimento da tecnologia passou a modificar até os métodos de aprendizado das instituições educacionais. Máquinas e assistentes virtuais já são capazes de administrar, programar conteúdos e corrigir falhas no lugar do ser humano. O Exame Nacional do Ensino Médio, vestibular realizado por muitos jovens e adultos todos os anos, em 2020, passou a agregar o sistema digital para a realização da avaliação de forma seletiva. No entanto, esse novo modelo de ENEM é acompanhado de grandes perspectivas e desafios para o setor educacional e estudantes.

Em primeira análise, deve-se compreender que a inserção desse novo sistema digital traz alguns benefícios para o Governo. A questão econômica, por exemplo, é um fator impulsionador para a realização das provas desse modo. Uma vez que, segundo o Ministério da Educação, apenas no ano de 2019, foram gastos por volta de 500 milhões de reais para a aplicação do exame, já que se faz necessária a contratação de muitos funcionários e as avaliações são todas impressas. Além disso, a minimização dos impactos ambientais também é de suma relevância quando se trata das vantagens do formato digital. Ademais, a utilização de papel na produção das provas é absurda e as folhas são descartadas após o período de avaliação, então seria um ótimo meio de minimizar o desperdício e preservar o meio ambiente.

Em contrapartida, existem alguns desafios à serem enfrentados pelo setor educacional e pelos concorrentes que realizarão a prova. O cenário real brasileiro é composto por uma enorme desigualdade social e isso afeta no desempenho da prova, já que muitos participantes, certamente, não terão o acesso à computadores para treinar em suas casas ou na própria escola e se preparar de forma adequada para o vestibular. Outrossim, a insuficiência de infraestruturas para receber esse meio tecnológico é realidade em muitos estados brasileiros não tão desenvolvidos quanto outros e há possibilidade, em grande escala, de que esse sistema dê algum problema técnico.

Diante do exposto, cabe ao Ministério da Educação reavaliar os pontos desvantajosos para os concorrentes, levando em conta, toda a desigualdade que existe no país e a realidade que o sistema de educação, de modo geral, enfrenta. Além disso, é necessário que após essa reavaliação, decisões democráticas, por meio de votações para os estudantes, sejam feitas a fim de compreender o viés do participante. Dessa forma, o país viverá a “Era digital” de maneira mais preparada e empática.