Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 30/06/2020
Desde a criação do primeiro computador em 1946, durante a segunda guerra mundial, a tecnologia tem ganhado cada vez mais espaço em meio a sociedade, com isso, seu uso tem sido ampliado à vários setores, no qual traz diversas facilidades. Nesse contexto, o Ministério da Educação trouxe para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) a possibilidade de ser feito de forma digital, a partir da edição de 2020 para uma parte dos inscritos, até 2026 onde seria aplicado para todos os participantes. Entretanto, esta forma de aplicação pode trazer grandes problemas com a inclusão cibernética e com fraudes na realização da prova.
Em primeira análise, a grande desigualdade social existente no país reverbera em uma excessiva exclusão digital, e por consequência o advento do ENEM digitalizado poderia acirrar a disparidade entre os participantes. Nesse sentido, a pesquisa realizada em 2009 pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), revela que apenas metade dos alunos brasileiros têm acesso a utilização de computadores. Desse modo, a aplicação do exame de forma informatizada diminuiria as oportunidades de grande parte dos estudantes, principalmente da parte mais pobre da população, que não vão ter a chance de aprender e treinar o procedimento computadorizado, e como resultado disso vão ter maiores dificuldades na leitura, interpretação e no exercício da prova. Assim, essa situação aumentaria as exclusões sociais e digitais, e traria privilégio à uma pequena parcela da população que tem acesso a esses recursos.
Em segunda análise, a prova digitalizada, apesar de em tese ser mais segura que a versão física, pode trazer algumas fraudes se não for programada e criptografada por uma plataforma segura. Nesse cenário, o professor Renato Leite, do Data Privacy Brasil, diz que é preciso ter uma criptografia com robustez que não permita que, através da utilização de outras tecnologias, ela possa ser quebrada. Dessa forma, as novas técnicas de invasão de sistemas poderão facilmente interceptar e modificar dados de alguns participantes, com a invasão das plataformas de governo se estas não forem melhoradas, o que acentuará as desigualdades que já existem nesse exame.
Por conseguinte, a realização do ENEM digital deixa grandes dúvidas quanto ao seu funcionamento e a igualdade de oportunidades oferecidas a população. Por isso, é necessário que a o Ministério da Educação torne os ensinos cibernéticos parte fundamental da base comum curricular, com realização de provas de treinamento periódicas e oficinas de informática, por meio do redirecionamento das verbas economizadas com o exame digital para a compra de computadores, a fim de que desde pequenos os alunos possam treinar e se familiarizar com a prova.