Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 01/07/2020
Durante a pandemia de coronavírus, em 2020, até junho, escolas públicas brasileiras ainda não haviam iniciado o ano letivo e enfrentavam dificuldades para encarar o problema. Tal cenário deve-se a fatores como a falta de um sistema digital adequado e à desigualdade no acesso à internet e aparelhos digitais pelos estudantes. Desse modo, cabe avaliar o despreparo educacional brasileiro na digitalização dos processos à semelhança do Enem.
Em primeiro plano, é válido ressaltar os problemas vivenciados pelos inscritos no Exame Nacional do Ensino Médio. Tendo em vista a vontade de introduzir a modalidade digital da prova, como diz o edital do exame, seria de bom tom que, ainda na inscrição, os alunos observassem um sistema eficiente responsável pela aplicação da prova. Entretanto, queixas de lentidão e quedas no site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP), organizador da prova, foram relatadas pelos estudantes durante o período inicial do processo de 2020. Dessa forma, um sistema digital adequado é imprescindível tanto para garantir a fluidez da jornada quanto para passar segurança aos estudantes durante a preparação.
Ademais, a desigualdade no acesso à internet e a aparelhos digitais mostra-se mais um desafio à digitalização da prova. Sob esse prisma, a pandemia de 2020 mostrou claramente essa diferença, pois a rede privada continuou o ano letivo com aulas online, enquanto a pública permanecia fechada a fim de pensar uma forma de fazer as aulas chegarem aos alunos que não possuíam aparelhos ou internet para acessá-las online. Esse caos mostrou que a rede de educação nacional não tem condições, atualmente, de implantar a digitalização educacional sem excluir boa parte dos alunos. Nesse sentido, em consonância, o Enem digital seria mais uma forma de excluir a população mais carente visto que ela não poderá preparar-se digitalmente.
Portanto, fica evidente a necessidade de um aperfeiçoamento nos sistemas da educação brasileira antes de incorporar a digitalização. Para isso, o Ministério da Educação deve, junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia, trabalhar na “Plataforma Nacional da Educação” que será um sistema, capaz de englobar materiais do ensino fundamental ao ensino médio, que guiará os alunos na transição para o estudo digital e também responsabilizar-se-á pelo processo do Enem. Essa tecnologia também precisará estar disponível nas escolas a fim de preparar os alunos que não possuem o acesso em casa. Assim, os desafios serão diminuídos e perspectiva para a era digital da educação será positiva.