Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 01/07/2020

Com a Revolução Industrial, os avanços tecnológicos tornaram-se frequentes e ocupam cada vez mais espaço na sociedade. É possível perceber que a tecnologia está presente na saúde, na economia e também na educação, visto que diversas ferramentas digitais são incorporadas em instituições escolares visando tornar o ensino mais dinâmico. Tal fato pode ser comprovado através do anuncio feito pelo Ministério da Educação (MEC), cujo projeto é implementar a primeira versão digital do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), ainda em 2020.

É importante ressaltar que, a ideia do Ministério da Educação e do INEP é de substituir de forma gradativa o ENEM impresso pelo digital até 2026 e aumentar o número de aplicações anuais da avaliação. Dessa forma, pode-se compreender que elevando a taxa de realização do exame, o número de estudantes que conseguirão realizar a prova será maior, assim como a chance de ingressar nas universidades. Além disso, por contar com uma plataforma digital os resultados das questões objetivas poderão ser divulgados de forma imediata.

Contudo, essa mudança pode ser dividida de duas maneiras distintas ao observar escolas privadas e escolas públicas. De acordo com Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), 47% das escolas privadas  possuem laboratório de informática, isso porque os alunos tem acesso a tecnologia nas salas de aula e em outras dependências da escola, já as instituições públicas 81% possuem laboratório de informática, porém apenas 59% possuem condições adequadas para que os alunos façam uso. Com isso, é possível perceber que a dificuldade de adaptar-se ao novo modelo será ainda maior para alunos provenientes de escolas públicas.

Portanto, não é uma tarefa simples substituir, mesmo que de forma lenta e gradual, um modelo de avaliação que é utilizado no país a tanto tempo e que os estudantes já estão familiarizados, por um molde de avaliação completamente novo. Sendo assim, antes de implementar esse modelo, o Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação deve investir em infraestrutura e na inclusão digital  com o uso de computadores nas escolas com acesso a internet de qualidade, principalmente nas escolas públicas, com o objetivo de aproximar os estudantes dessa nova versão de aplicação do exame. Além disso, o MEC deve promover simulados virtuais nas instituições de ensino para os alunos, visando a integração do novo modelo de avaliação, dessa forma, os alunos terão mais segurança para realizar o exame.