Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 02/07/2020
No início de julho de 2019, o Governo Federal anunciou o plano de modernização da maior prova no país. O Exame Nacional do Ensino Médio, aplicado aos jovens do Ensino Médio interessados em concorrer a uma vaga em Universidades. Já em 2020, um por cento dos inscritos farão a prova na sua versão digital em uma aplicação-piloto.
Na coletiva de imprensa onde o Ministério da Educação apresenta o projeto de modernização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o presidente do Inep, Alexandre Lopes, ressalta as vantagens econômicas e logísticas com a digitalização do ENEM. Segundo Alexandre Lopes, o processo tende a ficar mais barato; depender de uma equipe menor; evitar a impressão de um extenso volume de papel dos cadernos de prova; propiciar o uso de recursos alternativos (como vídeos e jogos); facilitar o planejamento e deslocamento dos candidatos que fazem a prova em uma cidade diferente de onde residem.
O então Ministro da Educação esclareceu que o órgão não comprará novas máquinas. A empresa contratada responsável pela aplicação da prova estará encarregada de mapear a estrutura de laboratórios de informática disponíveis nos espaços públicos e privados. Abraham Weintraub, citou o exemplo de outras provas que já são aplicadas em modelos digitais, como o exame de proficiência em inglês, TOEFL. Argumentou também que em outros países grandes provas como essa já acontecem por meio de computadores. Se observarmos os dados sobre Inclusão Digital e a difusão das TICs no Brasil, nos deparamos com uma realidade que tem melhorado significativamente com o passar do tempo, mas ainda essencialmente desigual e marcada por recortes geográficos e de classes. É coerente tornar o ENEM uma prova digital sem que a educação digital faça parte da realidade de todos os candidatos?
A proposta do Governo Federal de digitalização do maior e mais relevante exame nacional é ambiciosa. A modernização das instituições e processos nos parece mais do que uma tendência, mas um caminho natural pelo qual a sociedade altamente informatizada que partilhamos tem trilhado. Entretanto, após o lançamento desse plano pelo Governo, ficam mais perguntas do que respostas. A preocupação sobre a igualdade de condições e a promoção de uma educação digital para todos os adolescentes precisa ser prioridade, do contrário, o novo modelo será mais uma forma de reprodução da desigualdades sociais do país.