Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 06/07/2020

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é uma oportunidade para muitos jovens ingressarem nas universidades, sejam elas particulares, públicas ou até fora do Brasil. Dessa forma, em vistas da tamanha importância da prova, o INEP, instituto vinculado ao Ministério da Educação, prevê a modernização do processo de aplicação do exame, transformando-o em um modelo digital. Tal medida suscita perspectivas e desafios, visto que impacta os sonhos de muitos estudantes e está intrinsecamente ligada a questões sociais e econômicas.

De fato, abandonar o papel e a caneta na hora da prova põe em pauta palavras como privilégio, desigualdade e infraestrutura. Isso porque, de acordo com a “Agência Brasil”, 4,8 milhões de crianças e adolescentes brasileiros não possuem acesso à internet em casa. Ou seja, os adolescentes, os quais irão prestar o ENEM digital não terão familiaridade com o novo formato, enquanto que a classe mais abastada possui em suas mãos tecnologia de ponta para estudar. A mesma discrepância ocorre quanto aos locais de realização da prova. O exame online, visto que irá abranger todo o território nacional, não contará com a mesma infraestrutura nas diferentes regiões do país, sendo, por exemplo a capital São Paulo bem desenvolvida e com prédios com boa conexão à internet contra o estado do Amazonas, que ainda utiliza óleo de baleia para acender as lamparinas em algumas cidades. Logo, na transição do vestibular para o arquétipo digital, existe um impasse, além do que perpetua-se as disparidades já existentes.

Por outro viés, há também perspectivas, já que é um modelo implantado na Dinamarca, a qual utiliza os computadores e laptops para a realização de concursos para entrar em uma universidade desde 1994. Diferentemente da realidade brasileira, o país desenvolvido conta com ampla estrutura nos meios de comunicação e disponibiliza, para 90% de seus habitantes, internet de qualidade. Apesar disso, é animador o fato de que o Brasil busca aprimorar a seleção dos candidatos se adequando às transformações advindas das terceira e quarta revoluções industriais. Os aparatos tecnológicos, já tão presentes no cotidianos dos jovens para entretenimento, passarão a ser também um recurso para atingirem a sonhada vaga na faculdade.

Portanto, o ENEM digital é uma ferramenta útil, porém que ainda apresenta celeumas. Assim, cabe ao Tribunal de Contas da Nação organizar e enviar capital para os estados mais carentes de tecnologias, principalmente para as escolas, a fim de que, mesmo que o estudante não tenha acesso à rede no seu lar, pelo menos, poderá treinar para o exame no colégio. Com isso,espera-se a redução das desigualdades por meio da educação.