Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 19/07/2020

Desde sua primeira aplicação, em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio vem promovendo a democratização do acesso ao ensino superior e melhorias no sistema educacional brasileiro, cada vez mais voltado para o letramento e a capacidade de relacionar informações, superando a perspectiva enciclopédica. Aprofundando tais mudanças, o ENEM Digital apresenta-se como uma forma promissora de avaliar a Educação Básica, pois acelera a inclusão digital, caminho para a cidadania.

Em primeiro lugar, é importante destacar que os custos com este novo modelo de aplicação são menores do que exigem o atual, impresso, disponibilizando recursos para outras áreas. Entretanto, não faltam, dentro da própria Educação, setores carentes de investimentos que seriam fundamentais com a consolidação dessa perspectiva. Um exemplo disso é a formação de professores que, em sua maioria, não são preparados para extraírem das novas tecnologias todo seu potencial. Além disso, dados de 2018 do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR apontam para a notável desigualdade entre alunos de escolas públicas e privadas. Enquanto no primeiro grupo 52% têm acesso a computadores de mesa e 72% aos portáteis, no segundo apenas 36% têm acesso a computadores de mesa e 38% aos portáteis.

Assim, tais dados expressam a emergência em se promover a inclusão digital. Por outro lado, ao mesmo tempo em que isso é um desafio, é uma necessidade para além da realização de provas. Não apenas o mercado de trabalho futuro o exigirá, mas também a produção e a assimilação de conhecimentos são, cada vez mais, amparadas pelas tecnologias. Dessa forma, universalizar o acesso a elas é, hoje, uma questão de cidadania. Nesse ínterim, mais uma vez o ENEM, agora em seu novo modelo, pode acelerar o lento processo de democratização do acesso à educação, agora no que se refere à informática.

Portanto, para garantir que o ENEM digital possa concretizar suas potencialidades, é preciso informatizar as escolas públicas, em todos os ciclos, de modo a não apenas disponibilizar computadores, mas dar manutenção e formar professores que saibam, mais do que integrar novos conhecimentos, transformar sua prática. Fazer isso é custoso e demorado, mas o Ministério da Educação poderia criar um fundo que concentrasse verbas específicas para tal. Além disso, seria possível economizar recursos por meio de parcerias com multinacionais do setor, caso as negociações fossem feitas de forma centralizada. Por fim, parcerias com universidades públicas e com a indústria nacional também seriam formas de incluir no mundo digital jovens ainda com pouco acesso a ele, promovendo, em contrapartida, aqueles setores.