Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 28/07/2020

Enem digital e a perversidade da exclusão

Com o Enem digital será possível diminuir os custos de aplicação das provas e amenizar o impacto ambiental causado pelo desperdício de folhas, usadas nas impressões. No entanto, mesmo com esses benefícios a versão digital dessa prova esbarra em um antigo problema brasileiro, a desigualdade socioeconômica. O que pode impedir o acesso dos estudantes à melhor qualificação, devido a falta de computadores, excluindo-os desse processo seletivo.

Primeiramente, é um fato que nem todos os centros educacionais possuem a quantidade ideal de computadores para suprir à demanda de inscritos no Enem, que em 2020 foi de aproximadamente 6 milhões como apresentado pelo Instituto nacional de estudos e pesquisas Anísio Teixeira ( Inep). Evidenciando assim um problema, pois isso fere o princípio da equidade aristotélica, que guia as politicas públicas do país e possuem a função de criar uma sociedade mais igualitária, como exemplo tem-se a política de cotas. Uma vez que devido a falta de máquinas para serem usadas por todos os inscritos muitos serão lesados, diante da impossibilidade de realizarem o exame.

Ademais, outro problema a ser apresentado é a necessidade da conexão de banda larga de qualidade, o que não é uma realidade em todo o país. Com isso, tem-se o lado excludente do processo de globalização, uma vez que os indivíduos e as instituições com menos poder aquisitivo, que não podem pagar por serviços de qualidade, isso são excluídos, como demonstrado pelo geógrafo Milton Santos. Evidenciando assim um problema, pois para possuir uma conexão à internet de qualidade em todos os locais de aplicação é preciso pagar um valor alto, que pode ser um empecilho às instituições educacionais  que não possuem o orçamento necessário para arcar com esse custo.

Fica claro, portanto, que o Enem digital, mesmo com a boa intenção de causar menos impacto ambiental e poupar gastos, precisa enfrentar a profunda desigualdade social brasileira. Por isso, é preciso que o orçamento do Ministério da educação seja ampliado, para possibilitar a compra de mais computadores e arcar com os custos da Internet Banda laga de qualidade nas escolas públicas. Além da parcerias, do mesmo, com fabricantes de computadores, como a Microsoft, e fornecedoras de internet, para tornar os custos desse processo de informatização mais barato. Com objetivo de que até 2026 todos os centros educacionais que pertencem ao estado possam aplicar o Enem digital. Dessa forma, será possível promover a inclusão dos milhares de estudantes que realizam o exame todos os anos.