Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 13/08/2020

Desde 1998, quando foi criado, o Exame Nacional de Ensino Médio – ENEM, passa por várias reformulações. Entretanto, como toda grande mudança, o Enem digital tem gerado ansiedade entre os estudantes brasileiros, isso por que esse protótipo traz novas expectativas e muitos desafios. Assim, torna-se premente analisar os principais impactos e mudanças bem como debater acerca desse novo modelo de avaliação.

Conforme pesquisas realizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, os estudantes se encontram apreensivos em relação ao Enem digital, visto que ainda não há muitas informações sobre como se dará a aplicação das provas. De acordo, com Abraham Weintraub, ex-ministro da educação, os discentes não precisam se preocupar, pois esse modelo apresentará grandes benefícios e facilitará a vida dos alunos. Segundo Weintraub, o Enem tenderá a ficar mais barato; evitará a impressão de um extenso volume de papel dos cadernos de prova; propiciará o uso de recursos alternativos, como vídeos e jogos e ainda facilitará o deslocamento dos candidatos que fazem a prova em uma cidade diferente de onde residem, além de oferecer mais de uma data para a realização das provas. Nessa perspectiva, o Enem digital, poderá tornar-se uma referência mundial como método de ingresso no ensino superior.

No entanto, apesar de atualmente as novas tecnologias serem amplamente utilizadas, segundo estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico - OCDE, muitos estudantes fazem uso apenas do celular, não possuindo habilidades digitais, como o manuseio das ferramentas de formatação de textos. Outro desafio apontado pela organização é a desigualdade que pode ocorrer entre alunos de escolas públicas e particulares, visto que uma grande parte das escolas públicas não tem infraestrutura com laboratórios de informática, tampouco professores especializados para o ensino dessa disciplina, em comparação ao ensino privado. Diante desses fatos, a prioridade deve ser a busca por igualar as condições e a promoção de uma educação digital para todos os adolescentes do ensino médio.

Desse modo, é necessário reconhecer que a proposta do governo Federal de modernizar o Enem é ousada. Entretanto, para que isso ocorra, o Brasil deve desenvolver um processo de inclusão digital, levando internet para todas as escolas públicas, com infraestrutura de computadores e capacitando professores para o ensino dessa disciplina. Assim, se não houver conscientização do governo sobre a necessidade de diminuir as diferenças sociais, principalmente, as relacionadas à democratização ao acesso das tecnologias, o Enem digital está fadado ao fracasso.