Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 14/08/2020

Perspectivas e desafios do ENEM Digital

O ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) foi aplicado pela primeira vez em 1998, no governo de Fernando Henrique Cardoso, sendo, na época, apenas uma ferramenta usada pelo Governo Federal para a avaliação da qualidade do ensino médio das escolas públicas e particulares. A partir 2009, sofreu profundas mudanças, elevando seu nível e substituindo os vestibulares que eram aplicados nas universidades públicas, vigorando até os dias de hoje. Atualmente, apresenta uma delicada questão a ser debatida: o ENEM Digital.

Por um lado, a implantação de uma plataforma 100% digital prejudicaria os mais pobres e necessitados, já que tal classe ficaria em desvantagem por, muitas vezes, não possuir acesso a dispositivos eletrônicos, como computadores ou celulares, não conseguindo estudar ou se preparar para o exame apropriadamente. De acordo com dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 25% dos brasileiros não possuíam acesso à internet em 2018. Tal cenário pôde ser facilmente percebido na aplicação do sistema de ensino a distância (EAD) durante a pandemia de COVID-19, na qual, em uma pesquisa feita pelo Datafolha, 21% dos alunos não dispunham de qualquer oferta de atividade escolar.

Por outro lado, há redução nos impactos ambientais, já que, de acordo com a Folha de São Paulo, as provas somam 4,2 toneladas de papéis, que são posteriormente descartados. Segundo o Ministério da Educação, na aplicação do exame realizada em 2019, foram gastos em média R$ 500 milhões, sendo a economia o principal motivador para a implantação da versão digital do exame. Ademais, apesar de aparentemente incoerente na visão de muitos, o ENEM Digital é mais seguro, visto que, segundo especialistas, a prova em papel é mais exposta e, consequentemente, mais sujeita a ataques.

O ENEM Digital é a melhor opção, mas para que seja empregado de forma efetiva, fatores, principalmente do âmbito social, devem ser alterados, visando a redução da desigualdade para que todos tenham a mesma capacidade para a resolução do teste. A fim de alcançar tal objetivo, deve haver uma ação do Estado para ampliar as verbas destinadas ao Ministério da Educação, de forma a equalizar as chances dos alunos passarem no teste, independentemente da condição social. “A educação liberta”, segundo Epicteto, e de acordo com Immanuel Kant, “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele”.