Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 06/08/2020

A Terceira Revolução Industrial possibilitou o avanço significante dos meios de comunicação ao redor de todo o mundo. Junto com ela, os meios de estudo tornaram-se mais modernizados e tecnológicos, utilizando sistemas de infraestrutura interligados com a internet. Assim, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) nos últimos anos busca aplicar suas provas de maneira digital no Brasil, ainda mais diante da atual pandemia do Covid-19. Entretanto, para tal, é imprescindível levar em conta o maior desafio para sua realização: a intensa desigualdade socioeconômica. Dito isto, a mobilização do governo é de extrema relevância para garantir a democratização ao acesso digital do ensino.

A priori, a realização de provas digitais parece ser vantajosa, visto que não seria necessário a impressão de papéis, que contribuem diretamente para os impactos ambientais. Só no ano de 2019, foram mais de 10 milhões de provas, e a maioria acaba sendo descartada após o seu uso. Por conseguinte, o custo da sua execução diminuiria drasticamente, e a possibilidade de fraudes e ataques também.

Por outro lado, é notório a atenuante desigualdade presente no país. De acordo com um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em quatro pessoas não tem internet dentro de suas casas e, ainda mais, 42% dos domicílios sequer possuem computadores. Diante disso, torna-se evidente a precariedade do acesso à internet no Brasil. Ademais, a digitalização repentina afetaria todos aqueles que acostumaram-se a efetuar provas físicas, já que foram treinados para isso e a dinâmica de execução é totalmente diferente.

Em suma, o Ministério da Educação (MEC) deve garantir a disponibilização dos meios para todos. Em primeiro lugar, é necessário a elaboração de um projeto com ênfase nos locais de baixa renda, por meio do gerenciamento de investimentos, a fim de baratear e proporcionar o acesso à rede, além de assegurar todos os recursos necessários para um ensino de qualidade como o de escolas particulares. Por último, a digitalização dos exames devem ocorrer gradativamente, para viabilizar a adaptação de todos diante da nova proposta em adesão. Só assim será possível a democratização dos meios à população.