Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 06/08/2020

Jean Piaget dizia que “O principal objetivo da educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram”, com isso pode-se pensar no Enem digital como uma forma de novas experiências educacionais futuras que a tecnologia proporciona. No entanto, no liminar do século XXI os avanços na educação devem ser bem preparados e formatados, uma vez que ao armazenar dados dos cidadãos e podendo reforçar a desigualdade social, a segurança e igualdade dos adolescentes devem ser priorizadas.

Em primeiro plano pode-se ressaltar que o Governo Federal anunciou, no início de julho que pretende extinguir até 2026 a prova física do Enem. Por conseguinte, um dos principais questionamentos é sobre a segurança dos dados dos cidadãos que forem fazer a prova digital, posto que os programas devam ser confiáveis para não haver problemas com a Lei Geral de proteção dos Dados. Ademais, para evitar fraudes no sistema eletrônico o monitoramento deve ser rígido, como também a proteção para evitar que hackers acessem a prova.

Cabe reconhecer, no entanto, que essa nova forma de aplicação do Enem deve ser bem planejada, como a maior preparação dos professores no sistema digital em sala de aula. Bem como, a pesquisa TIC Educação mostrou que 79% dos professores de escolas urbanas dizem que a ausência do curso para o uso digital nas aulas dificulta o ensino. Igualmente não são todos que tem acesso a internet ou tem uma boa rede de sinal, uma questão importantíssima a ser discutida para a implantação total desse sistema do Enem digital. A princípio se serão as mesmas chances para todos, estando em papel ou computador, deve ser questionada de imediato, para que a desigualdade social não aumente cada vez mais.

Portanto, para efetivamente estabelecer uma prova digital de boa qualidade e segura o Governo Federal deve ser responsável por estabelecer internet nos locais inacessíveis e com pouco sinal e assegurar que os dados dos cidadãos não sejam corrompidos. Isso precisa ser feito por meio de torres de internet, para uma melhor conexão, e por um monitoramento de segurança com os programas da prova, além de câmeras que capta áudio e uso de inteligência artificial para detectar casos de cola e fraude com o intuito de estabelecer a igualdade de condição e a promoção de uma educação digital para todos. Só assim teremos um país onde o novo modelo de Enem não seja mais uma forma de desigualdade social.