Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 06/08/2020

Sem internet, sem ENEM

No dia 3 de julho de 2019, o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais  de Anísio Teixeira (INEP) Alexandre Lopes, anunciou em uma coletiva de imprensa um novo formato do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM digital. Com todo o caos gerado pela pandemia,  pode-se dizer que, ela foi apenas um dos impulsores para que os processos de aplicação desse novo estilo de exame acontecesse. Todavia, existem diversos desafios para a realização do ENEM digital, como a grande desigualdade existente e a falta de infraestrutura.

Em primeira análise, é importante pontuar que, em média 46 milhões de brasileiros não possuem acesso à internet de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC). Logo, são 25,3% de toda a população brasileira que se desejarem fazer o ENEM não vão conseguir, pelo simples fato de não possuírem o principal requisito necessário para a execução do exame, a internet. Assim como a falta de acesso à internet, também é necessário falar sobre a falta do equipamento básico para acessa-la, como celulares e computadores. Muitas famílias não possuem condições financeiras para comprar um aparelho que seja apto para fazer o exame, pelo fato de que na maior parte das vezes esses aparelhos costumam ser extremamente caros, e em alguns casos com uma faixa de preço maior do que a própria renda mensal da família.

Em segunda análise, é indubitável que a questão da infraestrutura comprometida é um outro problema que pode interferir na hora de fazer o ENEM digital. No Brasil já foram contados em média de 5,12 milhões de domicílios em favelas de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A questão da infraestrutura conta muito na hora de fazer uma prova, como foi citado anteriormente, a internet é uma parte muito importante para a execução do exame, e em alguns lugares como aglomerados subnormais acabam não tendo torres de internet, além da extrema situação precária em que algumas pessoas vivem lá.

Infere-se, portanto, que mesmo com boas perspectivas em relação ao ENEM digital, são necessárias medidas a fim da diminuição dos desafios para a execução do exame. Posto isso, órgãos do governo como o Ministério da Educação (MEC) e o Conselho Nacional de Educação (CNE) por meio de um amplo debate, devem propor a  construção de torres de internet em lugares que não possuem acesso a rede, e a distribuição de aparelhos tecnológicos em bom estado e capazes de realizar o exame, para que ninguém seja prejudicado e possa fazer o ENEM assim como todas as outras pessoas.