Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 12/08/2020
Desde o início da Terceira Revolução Industrial, no final so século XX, o mundo se torna cada vez mais digitalizado e permeado pelo uso da internet. Nessa perspectiva, em 2019, o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas educacionais Anísio Teixeira) levantou um novo projeto, o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) digital, que despertou várias indagações e abrangeu panoramas diversos. Como uma proposta recente, essa modalidade de aplicação acentua as limitações no sistema educacinal brasileiro. Ademais, tal modelo implicará desafios, por, certamente, não alcançar todas as classes sociais, e assim salientar a desigualdade, além de estar sujeito a ataques cibernéticas.
Em primeiro plano, o exame realizado em ambiente virtual não estará disponível ao acesso de todos os estudantes brasileiros, visto que, segundo dados do Banco Mundial quase 40% da população brasileira não é usuária da internet. Não só isso, mas sabe-se também que o ensino público abrange 82,4% dos alunos do ensino médio no país (dados do INEP), e não está estruturado para preparar seus discentes ao manejo de tais tecnologias. Nesse contexto, nota-se que as camadas sociais com menor aquisição, sem a possibilidade de arcar com os gastos da educação privada, se veem em situação desvantajosa aos demais, e ainda prejudicados com agravante pandêmico, que paralisou a rede de ensino governamental. Dessa maneira, a menos que essas limitações sejam superadas, o ENEM aplicado virtualmente não seria viável à grande parcela da sociedade nacional.
Outro aspecto a ser analisado são as constantes irregularidades e casos de fraude no processo, que já existem mesmo nas provas impressas. De certo, há uma preocupação maior para com os ataques virtuais, que poderão antingir o teste e questionar sua confiabilidade. Conforme o site Brasil Escola, o INEP eliminou, em 2013, mais de 1,5 mil candidatos por tentativa de burlar o sistema e esse número poderá aumentar em espaço online, por ser um ambiente mais suscetível ao acesso de hackers. Assim, a avaliação nesse meio poderá gerar problemas e futuros questionamentos quanto a sua credibilidade.
Em suma, o ENEM digital terá que ser analisado em suas proposições, pois nas condições atuais pode segregar os participantes, quanto a sua posição social, além de estar exposto a maior risco de fraudes. Desse modo, urge que o Ministério da Educação disponha mais recursos para os alunos do meio público como, internet acessível e aulas online, devido à pandemia, para estudo domiciliar, a fim de equipará-los com alunos da rede particular. Além disso, é necessário que o INEP fortaleça a fiscalização digital do exame, ao contratar uma empresa para tal fim, assim a validade da mesma não será comprometida. De certo, ações como essas contribuirão para a efetividade desse novo modelo.