Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 17/08/2020
Com as grandes evoluções tecnológicas das últimas décadas, a sociedade vem sofrendo bruscas transformações em sua estrutura, se alastrando por todos os setores, inclusive na educação. Desse modo, reconhecendo o que o futuro aguarda, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão encarregado pelo Enem, decidiu que, de maneira gradativa, o Exame Nacional do Ensino Médio deixará de ser feito no papel e até em 2026 todas as provas serão feitas digitalmente com o intuito de diminuir os gastos e os danos ambientais, causados principalmente pelo volume de papel produzido todos os anos. Nesse sentido, o dilema que está em cheque é que, pela falta de acesso aos aparelhos eletrônicos, provocada pela enorme desigualdade social presente no Brasil, milhões de estudantes podem sair prejudicados.
Primeiramente, é preciso entender que as mudanças propostas pelo Inep são inevitáveis, uma vez que a pauta da sustentabilidade está ganhando força como nunca antes, e que, com o desenvolvimento de novos recursos tecnológicos, o governo federal está com uma ótima oportunidade de reduzir em 95% os 500 milhões de reais gastos anualmente com a prova. Um estudo feito por estudantes de engenharia de sistemas da Universidade Federal de Minas Gerais concluiu que o Enem digital é mais seguro do que a prova física, uma vez que contará com criptografia de ponta e reconhecimento facial.
Outrossim, é imperativo ressaltar a falta de equidade social e econômica presente no Brasil, onde um quarto da população não possui acesso a internet, o que revela o descaso das autoridades políticas para com esse enorme grupo. Essa negligência do Estado pose provocar um aumento da disparidade social à longo prazo, uma vez que sem o devido acesso aos aparelhos eletrônicos afim de efetuar um bom preparo para o Enem, essas pessoas desfavorecidas terão menos oportunidade de entrar em uma faculdade, conseguir um trabalho e consequentemente mudar de vida.
Em suma, são vários os desafios que essas evoluções na tecnologia trouxeram para a educação. Nesse sentido, é preciso que, o Inep, aliado aos Ministérios da Educação e da Tecnologia, promovam essa mudança no Enem de maneira mais moderada, possibilitando a execução do exame físico em casos especiais, como o de inacessibilidade dos recursos tecnológicos no dia a dia. É necessário também considerar adiar esse prazo de 6 anos estabelecido para a migração do modelo de prova. Além disso, é preciso avaliar o ambiente tecnológico para garantir ainda mais a seguridade da prova online, contra os possíveis ataques cibernéticos por parte de hackers. Só assim será possível uma mudança justa para todos.