Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 17/08/2020

No filme “Feel The Beat” da Netflix, é possível observar como a internet atrapalhou a carreira de uma dançarina em ascensão. Já na realidade, a internet pode complicar a vida de muitos estudantes brasileiros que desejam cursar o Ensino Superior. Nesse sentido, a realização do Exame Nacional do Ensino Médio on-line tende a excluir aqueles que não possuem acesso remoto em suas casas.

É imprescindível, a princípio, citar que cerca de 46 milhões de brasileiros não acessam a internet (dados do IBGE de 2018). A partir disso, é possível concluir que grande parte da população, embora não seja a maioria, não conseguiria fazer as provas do ENEM Digital. Logo, é substancial destacar que para 4,5% das pessoas que não usam a web, o serviço não está disponível na região em que elas vivem, de acordo com levantamento feito pela Pnad Contínua TIC em 2018.

Ademais, é fundamental explicitar que a prova on-line não estará disponível para todos que quiserem participar, uma vez que somente 101 mil vagas foram disponibilizadas para essa modalidade (segundo MEC). Por isso, não há como contestar que o ENEM Digital não é a melhor solução para a realização dessas provas no período de pandemia.

Portanto, a realização do Enem remotamente impede que todos tenham fácil acesso à prova. Para reverter essa situação, é necessário que o MEC, junto os governos de todos os estados brasileiros, permitam que algumas pessoas façam as provas pelo computador em escolas que possuem esse recurso. Amenizar essa realidade, demanda que estes órgãos emitam uma nota permitindo que as instituições de ensino de cada estado permitam que, 100 pessoas em cada, realizem a prova on-line em computadores que elas disponibilizarão aos participantes (seguindo as normas de higiene impostas pela OMS, como o uso de álcool em gel, afastamento das mesas com os computadores, e o uso de máscara). Assim, será possível que um maior número de pessoas participem das provas digitais do ENEM 2020.