Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 07/12/2020

A revolução técnico-científica-informacional iniciada na segunda metade do século XX, inaugurou inúmeros avanços no setor de informática e telecomunicações. Dessa maneira, nota-se que tais fatores possibilitaram a adaptação de uma cultura tecnológica, facilitando o cotidiano de diversas pessoas e demonstrando a importância da inserção de alternativas como o Enem digital nesse cenário. Entretanto,  apesar das perspectivas vantajosas dessa prova digital, ainda existem desafios na inserção igualitária da sociedade contemporânea nesse novo modelo do Exame Nacional do Ensino Médio, seja em virtude da priorização de interesses financeiros, seja por uma base educacional lacunar.

Em primeiro plano, é preciso atentar como sendo um forte empecilho na aplicação desse método moderno, à prioridade que as entidades dão à questão financial. Nessa perspectiva, Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Nesse sentido, o sociólogo Herbert José de Sousa afirmava que um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência, mas muda sim pelos seus costumes. Logo, pode-se afirmar que, uma vez que o principal foco dessas instituições são os interesses monetários, essa cultura de egoísmo não muda, impossibilitando que as organizações invistam em projetos de inclusão tecnológica que auxiliem as pessoas na introdução do Enem computacional.

Além disso, — embora esse método modernizado ofereça diversos benefícios — uma outra dificuldade enfrentada é à questão da lacuna educativa que não abrange esse modelo tecnológico nas escolas. Nesse viés, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto em que está inserido, a saber quais são suas origens e as condições de que depende. Nessa lógica, a Biologia mostra com o naturalista Charles Darwin, que nem sempre o mais forte quem sobrevive, mas aquele que melhor se adapta. Dessa forma, em analogia com a problemática, os discursos se complementam, ressaltando que sem ensinos de como manusear o Enem eletrônico desde as salas de aula, o estudante não consegue se adaptar e participar desse novo modelo.

Portanto, é nítida a importância do Enem digital para o desenvolvimento do cenário estudantil, porém a sua inserção ainda apresenta alguns desafios. Logo, é necessário que o MEC em parceria com o Ministério da Economia, crie campanhas inclusivas que incentivem as empresas a patrocinarem com recursos tecnológicos cidades e instituições de ensino,  uma vez que essas instituições instruam na adaptação dos estudantes a esses mecanismos como um treinamento para o Enem digital. Ademais, essa inclusão deve ser ofertada para todos os interessados em realizar o novo modelo do Exame Nacional do Ensino Médio. Assim, talvez, as pessoas realizarão a prova digital com sucesso.