Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 24/08/2020
O uso de papel e lousa nas salas de aula já não são mais eficazes no cenário atual da Quarta Revolução Industrial. Assim, exigi-se que as instituições de ensino, bem como os estudantes, se adequem à nova realidade global. Dessa forma, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) Digital, será importante para reduzir o tempo de aplicação do processo avaliativo bem como, impulsionar a implementação tecnológica na área da educação no Brasil, mas para isso, é necessário vencer vários entraves como a falta de computadores entre a maioria dos estudantes do país.
Por um lado, segundo Fernando Santos, gerente de Inteligência Educacional do Sistema de Ensino Poliedro, o ENEM Digital poderá ser feito em menos tempo. Decerto, esse novo modelo será mais prático, pois permitirá navegar pela prova ao ter que folhear o caderno de questões, além disso, não precisará preencher gabarito, o que permitirá ganhar cerca de quinze minutos de tempo para resolver outras perguntas. Logo, garantir o sucesso dessa modalidade é fundamental para que tal exame seja menos exaustivo para aqueles que dele participarão e aumentar o número de acertos na avaliação.
Por outro lado, conforme a pesquisa TIC (Tecnologia da Informação e da Comunicação) Domicílio 2019, houve redução no número de computadores nos lares brasileiros, concentrando-se em maior quantidade nas classe A e B. Ademais, a alta do dólar, provocada pela pandemia do novo coronavírus, aumentou consideravelmente o valor dos produtos importados pelo Brasil, principalmente os eletrônicos, o que agrava a dificuldade no acesso das classes com menos poder aquisitivo a tais tecnologias. Enfim, o novo formato do ENEM beneficiará os alunos que dispõem em suas residências de computadores e internet de boa qualidade, haja vista que, eles terão meios para treinar e assim, preparar-se melhor para o exame.
Impende, portanto, que todos os candidatos usufruam das vantagem do ENEM Digital. Nesse sentido, cabe ao Ministério da Educação e da Cultura amparar os estudantes de baixa renda, por meio de programas que doem a cada um deles um computador, internet e acesso a um cursinho virtual de qualidade, com o intuito de proporcionar a eles o mínimo de habilidade necessária para o certame, podendo começar, a princípio, com os alunos do ensino médio e devendo estender-se, posteriormente, aos alunos do ensino fundamental.Outrossim, os Estados, com o auxílio de suas Secretárias de Educação, devem oferecer cursos de informática para seus docentes com o intuito de que eles possam ajudar os alunos no processo de aprendizagem virtual. Dessa forma, será possível vencer os desafios tecnológicos no espaço educacional, reduzir a desigualdade social e assim preparar nossos discentes para o mundo.