Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 27/10/2020

Criado pelo Ministério da Educação, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) teve a sua primeira edição em 1998, tornando-se a principal porta de entrada no ano de 2008. Criado para ser uma avaliação não apenas de conhecimento, o ENEM ao longo dos anos vêm sofrendo modificações. Dentre elas, surgiu a possibilidade de um exame digital, que exerceria a função de substituir a prova aplicada em papel, assim como, abrigaria vantagens, sendo elas: maior comodidade para o estudante, preservação ambiental e menos gastos. Porém, faz-se necessário analisar os desafios que esse novo modelo poderia oferecer, sendo eles; a falta de infraestrutura adequada para impedir falhas sistemáticas, assim como, o possível agravamento da desigualdade social.

De início, não é possível estabelecer um novo modelo de avaliação que comporte em média 8 milhões de acessos simultâneos, sem que haja segurança em rede para tal. Nesse mesmo sentido, seria imprescindível que houvesse um local adequado para todos, o qual pudesse garantir acesso a internet sem a probabilidade de falhas na rede do sistema. Para Steve Jobs, criador e desenvolvedor da empresa apple, a modernidade move o mundo. Com efeito, de fato essa assertiva é verídica, mas antes de torna-la uma verdade irrefutável, há falhas no sistema brasileiro que necessitariam ser solucionadas em torno de tal afirmação.

Sob outro viés, a Declaração Universal dos Direitos Humanos assegura a todos os cidadãos do país o direito de igualdade. Todavia, 6 em cada 10 brasileiros não possui acesso à internet, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o que dificultaria o treino para a avaliação, privilegiando aqueles que possuem esse benefícios. Assim, torna-se impossível implantar um novo modelo de prova, visto que as oportunidades não seriam equivalentes, apesar das inúmeras vantagens. Isso apenas agravaria a desigualdade já existente, que também se manifestaria negativamente nas cidades de interior, as quais carecem de infraestrutura básica.

Urge, pois, que medidas sejam tomadas. Para isso, o Ministério da Educação, responsável por vigorar tal medida, junte-se aos líderes estaduais para a criação de um novo projeto que ao ser entregue à Câmara dos Deputados possa entrar em vigor. Nesse projeto, 10% do PIB anual da nação seria destinado a criação de salas devidamente equipadas em todos os municípios para serem utilizadas em prol de motivos educacionais. Além disso, investiria-se também na criação de uma rede wifi que suportaria uma grande quantidade de acessos, e que fosse de fácil utilização para aqueles que não possuem aptidão às novas tecnologias. Finalmente, espera-se que com essas medidas, no ano de 2026, quando de fato será obrigatório o exame digital, todos possam realizá-lo igualitariamente.