Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 01/11/2020

A ativista ambientalista Greta Thunberg ganhou notoriedade no cenário global ao convocar líderes mundiais a refletirem sobre as mudanças climáticas de origem antrópica ao protestar sozinha, no ano de 2018, em frente ao parlamento sueco. Consoante às ideias defendidas pela sueca, o Brasil, grande nação poluidora, principalmente em resíduos sólidos, pode valer-se do ENEM nas plataformas digitais como forma de reduzir o impacto ao ambiente de tal avaliação, pois este minimiza a quantidade de papel utilizado nesse exame. Nesse aspecto, a evolução da prova pode ser benéfica à natureza, mas, em oposição, alunos carentes podem não ter a oportunidade de saberem utilizar computadores ou executar tarefas nestes, o que deve ser solucionado.

Em primeira análise, verifica-se que a forma digital do teste possui aspectos negativos, que, apesar de relevantes, podem ser facilmente contornados, de modo a aproveitar todas as facetas positivas de tal mudança. A isonomia aristotélica considera que a igualdade completa só seria atingida quando os indivíduos iguais fossem tratados igualmente, segundo as desigualdades de cada um. No que tange ao uso de computadores, a população mais carente, menos acostumada a essa tecnologia, poderá ter dificuldades na utilização de tal meio nas provas, o que pode ser prejudicial a eles. Dessa forma, é necessária a capacitação dos candidatos, a fim de garantir iguais condições de desempenho a todos.

Ademais, a transição digital para o ENEM é fortemente benéfica à conservação das florestas nativas e à menor emissão de resíduos sólidos. A ideologia dos ‘’três R’’, que busca a melhor gestão dos recursos naturais, tem como uma das bases a redução do consumo. Nesse sentido, o uso de computadores para realizar o vestibular seria favorável ao menor desperdício de papel, que é amplamente presente nas provas físicas, minimizando, assim, o corte de árvores e os processos industriais inerentes à celulose. Conclui-se que a natureza é amplamente favorecida com o exame digital, que deve, dessa forma, ser incentivado.

Portanto, para solucionar a problemática exposta, urge que o Ministério da Educação invista na capacitação dos candidatos ao ENEM que não estejam aptos a utilizar computadores para realizar o exame, a fim de condicioná-los a tal modelo de teste. Isso poderia ser feito por meio da contratação de professores de informática, que ministrariam aulas no dispositivos aos alunos que durante a sua inscrição, declarassem inaptidão no uso da tecnologia. Desse modo, seriam garantidas a inclusão e as iguais oportunidades a todos, fazendo-se, enfim, cumprir-se a isonomia de Aristóteles.