Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 10/11/2020
Na obra Utopia, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Conquanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a implantação do Enem digital apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Logo, esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade social, quanto da falta de infraestrutura dos locais de realização do exame. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de melhorar as perspectivas da nova modalidade de prova.
Precipuamente, é fulcral pontuar que o a pouca qualidade das estruturas para aplicação do Enem digital deriva da baixa atuação dos setores governamentais no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Acerca dessa lógica, segundo pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre no Brasil. Sob essa ótica, devido à falta de atuação das autoridades, observa-se que o Exame Nacional do Ensino Médio digital será realizado apenas em cidades maiores, que possuem pontos mais estruturados e preparados para receber o novo modelo de prova. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outrossim, é imperativo ressaltar que o contraste da sociedade brasileira agrava ainda mais o problema. Partindo desse pressuposto, segundo o estudo Acesso Domiciliar à Internet e Ensino Remoto Durante a Pandemia, cerca de 1,8 milhões de alunos da rede publica não possuem equipamento para estudar, seja computador, notebook, tablet ou celular. Portanto, esses educandos não teriam familiaridade com o estilo da prova do Enem digital e, assim, sairiam prejudicados. Tudo isso, retarda a resolução do empecilho e contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Dessa maneira, com intuito de mitigar as barreiras para realização desse exame de forma digital e melhorar suas perspectivas, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, será repassado para as instituições educadoras, as quais farão uma pesquisa para descobrir quais discentes não possuem equipamento para estudar digitalmente, por meio de um questionário, após isso, será distribuído para os alunos que necessitam. Ademais, as verbas adquiridas também serão utilizadas para melhorar a estrutura das escolas, para que possão receber o novo modelo de prova. Destarte, atenuar-se-á a médio e longo prazo, o impacto nocivo da desigualdade social brasileira, com isso o Enem digital melhorará suas perspectivas e a coletividade alcançará a Utopia de More.