Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 18/11/2020

De acordo com a Declaração Mundial dos Direitos Humanos, promulgada pelo ONU, em 1948, todo indivíduo, inerente às quaisquer condições, têm direito ao acesso à educação. Atualmente, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que é uma das formas de se exercer o direito de concorrer a uma vaga em alguma universidade, está com um novo formato: o digital. Porém, embora existam algumas vantagens, essa novo modelo não necessariamente será eficiente, tampouco democrático.

Em primeiro plano, vale ressaltar que, de acordo com o Ministério da Educação (MEC), mais de 7 milhões de candidatos inscrevem-se anualmente para a realização do ENEM, por esse motivo, uma enorme quantidade de provas precisam ser produzidas e, consequentemente, é usado muito papel. Todo esse material é descartado após o exame, ou seja, há um desperdício acentuado. Contudo, com a implementação do vestibular virtual, esse impacto seria minimizado, pois os papeis seriam trocados por computadores. Além disso, essa nova modalidade também vai garantir mais segurança em relação aos conteúdos das provas, para que nenhuma informação seja divulgada antes da data prevista, assim como pode agilizar a correção delas.

Por outro lado, existem dois grandes dificultadores para a eficiência dessa nova modalidade de aplicação. O primeiro deles é o fato do Brasil não ter uma internet pública, tampouco uma rede privada de boa qualidade. Não é incomum se deparar com relatos de congestionamento de sistema, que ocorre quando um grande número de pessoas tenta acessar o mesmo site, isso acontece nos períodos de matrículas nas universidades públicas, ou inscrições em programas governamentais, como o auxílio emergencial. O segundo agravante é a desigualdade social presente no país, isto significa que a maioria dos alunos, que são provenientes de escolas públicas periféricas, não têm acesso à internet e não possuem computadores. Desse modo, eles sequer teriam familiaridade com o nova aplicação, nem poderiam se preparar para ele, isso os deixariam  em desvantagem em relação aos alunos egressos do ensino particular ou familiarizados com as dinâmicas digitais.

Em virtude dos fatos mencionados, percebe-se que há algumas lacunas a serem preenchidas para que o ENEM digital seja, de fato, eficaz e democrático. Portanto, cabe ao Ministério da Educação e ao Ministério do Desenvolvimento Social garantir que todos os alunos sejam familiarizados com o novo formato do vestibular. Isso pode ser feito por meio de melhores estruturas de laboratório para as escolas públicas, o que inclui computadores de boa qualidade, desse modo, não haverá estranhamento na hora da prova por parte dos estudantes. Ademais, vale salientar a necessidade da criação de uma boa rede coletiva de internet, para que o problema descrito anteriormente seja solucionado.