Perspectivas e desafios do ENEM Digital
Enviada em 13/11/2020
As políticas educacionais adotadas por Getúlio Vargas a partir de 1930, embora foram de grande importância para o avanço da emancipação do ensino, ainda apresentavam inúmeros obstáculos para o acesso ao conhecimento de muitos brasileiros. Desse modo, ao analisar as perspectivas e desafios para a aplicação do Enem digital, percebe-se que esses empecilhos ainda existem. Assim, é evidente que devido a problemas como a desigualdade social e a falta de infraestrutura em determinados locais, a digitalização total do exame nacional do ensino médio ainda está distante.
Antes de mais nada, vale ressaltar que milhares de pessoas ainda não possuem acesso a internet no Brasil. Destarte, consoante ao educador brasileiro Paulo Freire, a utilização de tecnologias na educação requer uma pedagogia educacional mais crítica, pois esse meio exige dos docentes conhecimentos mais específicos, sendo esses, fruto da familiarização com o mundo digital. Logo, quando se quer utilizar um novo modo de aplicação em uma prova tão importante, é preciso que haja inclusão social, para que os alunos desfavorecidos tenham as mesmas oportunidades que os mais ricos têm.
Em segundo plano, cabe mencionar também a falta de preparo estrutural de muitas instituições de ensino, que devem abrigar o equipamento necessário e receber os estudantes para as avaliações. A exemplo disso, o Censo Escolar de 2017, lançado pelo Ministério da Educação, apontou que as escolas brasileiras possuem diversas carências infraestruturais como rede de esgoto ativa (presente em apenas 46,1% dos centros de ensino fundamental) e falta de acessibilidade para pessoas com deficiências (somente 26,1% das instituições possuem vias adaptadas para cadeiras de rodas). Isto posto, é claro que há muito a investir para que as provas digitais sejam aplicadas com êxito.
Destarte, percebe-se que são muitos os problemas para a implantação do Enem digital, com destaque não somente para a desigualdade social, mas também para a falta infraestrutura. Para tanto, é fulcral que o Ministério da Educação invista em programas educativos, por meio de campanhas coletivas, para incentivar a população a ajudar essa parcela que sofre de exclusão, a fim de proporcionar a essas pessoas um ensino digno. Ademais, compete ao Governo investir nas escolas, para que elas possam, de fato, abrigar a todos de maneira organizada e salubre. Logo, com a realização de tais medidos obstáculos deixados pelas medidas de Vargas poderão ser contornados.