Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 26/11/2020

Desde 2019, o governo divulgou a disponibilidade do Enem digital e as alterações que o INEP, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, planeja fazer no exame nacional de forma gradual, portanto, até 2026 não haverá mais a prova impressa. Porém, apesar do Enem digital ser uma forma mais econômica e mais sustentável, é evidente que esta proposta reforça a desigualdade social, uma vez que grande parte da população não apresenta acesso à Internet.             Primeiramente é viável entender as vantagens do Enem digital. A princípio, todo ano, a produção das provas gera uma utilização absurda de papel e no final, após o período de provas, esse papel é descartado, o que prejudica o meio ambiente, pois sua fabricação consome muita água doce mundial e emite gases de efeito estufa em razão de seus processos de produção. Dessa forma, a inserção do Enem digital, ajuda o meio ambiente. Além disso, a principal vantagem desta transição é a redução de custo para a realização da prova. Segundo o Ministério da Educação, em 2019, teve como gasto 537,6 milhões de reais, o que é um custo muito expressivo, por isso, com a aplicação do exame digital, o instituto teria uma economia considerável em relação ao preço das impressões das edições anteriores.

Em segundo lugar, deve ser analisado uma das desvantagens da inserção do Enem digital. Quando se fala em desvantagens tecnológicas no contexto brasileiro, é preciso falar em desigualdade, pois nem todos têm acesso à Internet ou ao computador. E isso pode ser comprovado pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mostram que, no Brasil, uma em cada quatro pessoas não têm acesso à internet, somando 46 milhões de brasileiros. Desse total, 45% explicam que a falta de acesso acontece porque o serviço é muito caro e para 37% dessas pessoas, a falta do aparelho celular, computador ou tablet também é uma das razões. Como o teste não será realizado em casa, isso não parece ser um problema, mas é possível encontrar um problema: nem todos terão a possibilidade de “treinar” em casa ou na escola para se preparar para o exame digital. Por isso, o Enem digital irá dificultar ou até excluir a entrada de muitos brasileiros na faculdade.

Em suma, fica claro que medidas precisam ser tomadas para solucionar o problema. Assim, para incluir todos cidadãos brasileiros e diminuir a exclusão digital, o Ministério da Educação, órgão responsável pela definição das políticas educacionais que o país adota, deve criar leis federais efetivas para a difusão de internet de qualidade junto as operadoras de comunicação por meio do desenvolvimento de pontos de acesso à internet em comunidades carentes, além de distribuírem tablets ou computadores para essas mesmas comunidades.