Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 06/01/2021

O Exame do Ensino Médio (ENEM) é considerado o segundo maior vestibular do mundo, com cerca de cinco milhões de participantes todo ano. O concurso é responsável também, pelo ingresso de milhares de estudantes na maioria das universidades brasileiras, sendo, dessa forma, um instrumento para o ingresso ao ensino superior público. A partir de 2020, o Ministério da Educação (MEC) começará a implementar a versão digital, no entanto, alguns desafios ainda pairam sobre o cenário desse processo, seja pela falta de segurança eletrônica, seja pelo baixo investimento em educação no país.

Nesse sentido, é importante ressaltar, em primeiro plano, que o ambiente computacional ainda não possui segurança suficiente para a aplicação do ENEM. Sob essa perspectiva, o documentário “The Great Hack” demonstra, por meio de dados, que o ambiente computacional é super sensível às invasões e que, muitas vezes, não é possível identificar oss infratores. Assim, o curta evidenciou que mesmo os sistemas considerados extremamentes seguros, como o da Central de Inteligência Americana (CIA), possam sofrer ataques, como ocorrido em 2017. Nesse sentido, ainda que haja a contratação de segurança para o processo do ENEM, as fraudes poderão acontecer em um nível jamais visto e, desse modo, comprometer o Estado Democrático de Direito.

Ademais, outro fator que se apresenta como um desafio à aplicação desse novo modol de provas é a falta de investimentos no setor de educação. Sobre esse ponto, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Educacional (OCDE), em relatório, apontou que o Brasil investe menos que a média mínima global esperada pelo grupo. Todavia, para implementar provas complexas como o ENEM digital, que demandam planejamento, segurança, aquisição de parcerias de internet banda larga e computadores, é necessário investimento massivo para garantir a qualidade do exame. Logo, como os recursos são escassos, a efetividade da avaliação fica prejudicada.

Fica claro, portanto, que o ENEM digital encontra barreiras em sua aplicação devido à ausência de investimentos e de segurança tecnólogica. Urge, logo, que o MEC, em parceria com o Tesouro Nacional, disponibilize alocação de recursos específicos para essa prova. Tais investimentos devem ser utilizados para a criação de parcerias público-privadas, com universidades particulares e centros tecnológicos que já possuam estrutura computacional, para minimizar os custos e permitir a rápida implementação, ainda que parcial. Outrossim, é dever do MEC, por meio da contratação de um sistema moderno de segurança, garantir os parâmetros internacionais básicos, com o fito de promover uma aplicação segura do concurso. Feito isso, o ENEM poderá, enfim, se modernizar e migrar para o modelo digital.