Perspectivas e desafios do ENEM Digital

Enviada em 19/05/2022

O Brasil, de acordo com o coeficiente de Gini, é considerado um dos dez países com maior desigualdade social no planeta. Por consequência, diversas pessoas tentam, através dos estudos, entrar em uma universidade gratuita através do ENEM, que, em tese, os garantirá um emprego e estabilidade financeira. O Exame Nacional do Ensino Médio se propõe a testar os estudantes quanto a suas capacidades críticas, matemáticas e de interpretação, de forma justa e imparcial.

No entanto, a realidade apresenta uma diferente perspectiva: a quinta-essência da desigualdade entre estudantes de baixa renda que devem competir com pessoas que tiveram alimentação e educação exponencialmente superiores as suas. De tal forma, estudantes com melhores condições de vida acabam, mesmo que injustamente, tendo melhores resultados que estudantes mais humildes.

A proposta “imparcial” do Ministério da Educação entra em contradição a partir do momento em que estudantes de pior condição financeira acabam por se prejudicar de forma totalmente injusta. Inquestionavelmente, o ENEM digital trás a tona a assimetria de renda entre os estudantes brasileiros, visto que apenas segrega aqueles que dispõem de computadores e internet em suas residências daqueles que não tem. Apesar do exame não ser executado em casa, aqueles que puderem praticar diretamente de um computador muito possivelmente terão um melhor resultado do que alguém que não pôde dispôr do mesmo privilégio.

Dessa maneira, o ENEM propõe um projeto que, posteriormente, apenas ampliará a desigualdade social no Brasil. Um indivíduo não nascer com privilégios financeiros não deveria ser motivo para que não se possa usufruir de educação de qualidade fornecida pelo governo. O dever do Ministério da Educação é atenuar os efeitos de décadas de educação pública negligênciada, fazendo com que as disparidades entre estudantes pobres e abastados seja cada vez menor, não deixá-las ainda mais em evidência.