Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 03/08/2022

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito a lidar com os novos desafios advindos do trabalho remoto. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude da lenta mudança na mentalidade social e da falta de políticas públicas.

É indubitável, nesse cenário, que a questão da lenta mudança na mentalidade social esteja entre as causas do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão do “home office” é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem habituadas a um trabalho presencial, a tendência é repudiar qualquer outra forma de trabalho que seja proposta/imposta, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Outrossim, a falta de políticas públicas também se configura como um grande impasse para a resolução da problemática. Sobre isso, Abraham Lincoln disse, em um de seus discursos, que a política é serva do povo, e não o contrário. Em relação a tal afirmação, nota-se uma incongruência sobre as perspectivas e desafios do trabalho remoto e a atuação do Estado brasileiro, uma vez que, ao contrário do que Lincoln explanou, a política atual não serve o povo com ações que expandam a utilização da tecnologia e informação, assim como ações de amparo aos funcionários por meio de acompanhamento médico e psicológico - fatos que poderiam minorar o problema.

É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Logo, para sanar os obstáculos debatidos, a população, por meio de um projeto social online, deve criar uma campanha de incentivo que trabalhe paralelamente com ações governamentais na questão dos desafios do trabalho remoto. Essa campanha deve ter repercussão nacional e representantes de todas as federações, a fim de cobrar do poder estatal maiores ações para solucionar o embate, esperando, assim, que a população possa ser, de fato, protagonista das práticas governamentais.