Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil
Enviada em 09/08/2022
Em meio ao período de Guerra Fria, surgiu uma das ferramentas mais revolucionárias do mundo: a internet. Esse advento criou diversas mudanças na sociedade, possibilitando, inclusive, a aparição do “home office” como um novo modo de trabalho. No Brasil, entretanto, essa nova proposta apresenta desafios, os quais envolvem tanto a saúde mental dos funcionários, quanto a disponibilidade de recursos para trabalhar em casa.
Em primeiro lugar, é preciso explicitar as dificuldades de separação entre vida profissional e pessoal que o “home office” traz. Ainda que esse trabalho feito de casa traga uma maior dinamicidade para a rotina - necessária, por exemplo, para pais que precisam cuidar dos filhos -, a junção de ambientes com propostas diferentes, nesse caso o labor e o lazer, leva a uma difícil distinção entre tempo de trabalho e tempo livre. Dessa forma, por vezes o funcionário é levado a trabalhar mais do que deveria, o que gera um estado de cansaço constante. Por conseguinte, problemas de saúde como ansiedade e depressão têm maiores chances de ocorrer, uma vez que o estresse advindo do cansaço é fomentado. Assim, nota-se os malefícios que o “home office” sem orientação pode causar aos indivíduos.
Ademais, a falta de tecnologia adequada para realização do trabalho em casa é um fator que limita a adesão de diversos indivíduos ao mercado de trabalho. Dessa maneira, aqueles que tem qualificação, mas não apresentam subsídios suficientes para conseguirem manter o “home office”, com internet de qualidade e outras ferramentas, têm essa possibilidade de emprego excluída de suas vidas. Assim, essa modalidade de trabalho não só evidencia as desigualdades no Brasil, como também propicia seu aumento.
Infere-se, portanto, a necessidade de mudanças nesse contexto social. Uma possível solução seria o Estado, por meio do Ministério do Trabalho, oferecer cursos para todas as empresas que aderem ao “home office” sobre como orientar funcionários quanto a performance deles em casa, a fim de que não haja uma sobrecarga de serviços sobre eles. Além disso, caberia as próprias empresas a disponibilização de equipamentos necessários a seus colaboradores para a realização do “home office”, permitindo, assim, a aderência de todos.