Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil
Enviada em 02/09/2022
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, é assegurado como direito de todos o acesso a lazer e trabalho. Entretanto, na conjuntura atual do Brasil, a adoção do trabalho remoto pelas empresas vêm desrespeitando essa garantia internacional. Assim, tanto a precariedade das tecnologias fornecidas, quanto à intensa carga horária de trabalho atuam como desafios a serem superados. Diante disso, nota-se que o “Home-Office” precisa de medidas para tornar-se algo saudável para toda população.
Nesse cenário, cabe ressaltar que inúmeras empresas falham ao investir em novas tecnologias para os seus funcionários. Tal aspecto remete, assim, ao período indústrial, em que os patrões faziam exigências, mas sem se preocupar com as condições básicas de trabalho. Nessa ótica, percebe-se que as empresas hodiernas estão na mesma linha de pensamento dos “velhos patrões”, exigindo produção sem antes melhorar os seus processos internos, e, consequentemente, dificultando o serviço remoto dos trabalhadores. Diante disso, nota-se a complexidade em estabelecer uma produção on-line de qualidade.
Ademais, é essencial citar a elevada carga de trabalho dos funcionários que atuam remotamente no Brasil. Segundo o contratualista John Locke, em sua obra “O Contrato Social”, o governo existe para garantir o bem-estar coletivo. Nesse viés, a falta de políticas públicas para o trabalho remoto influência no alto volume de trabalho enfretado pelos funcionários, caracterizando, pela perspectiva de Locke, uma falha do Estado, visto que não estaria garantindo a saúde da sua população. Conforme uma pesquisa realizada pela Oracle e Workplace Intelligence 42% dos brasileiros estão trabalhando mais 40 horas/mensais. Logo, comprova-se a intensa exploração das grandes empresas no trabalho “Home Office”.
Portanto, torna-se necessário que o Poder Executivo obrigue as empresas a seguirem as normas trabalhistas brasileiras, seja de forma presencial ou remota, por meio de fiscalizações e pesquisas de satisfação com os funcionários, a fim de garantir o cumprimento das leis e proteger a saúde mental dos empregados, visto que o trabalho excessivo é um dos principais agentes no desenvolvimento do estresse crônico e ansiedade.