Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 23/09/2022

A série televisiva “Sex and the city”, mostra a vida de Carrie, uma jornalista de revistas, autônoma, que trabalha remotamente de sua casa através de seu computador. Fora da ficção, a questão do trabalho remoto tem sido um desafio para os brasileiros. Nesse sentido, a negligência governamental somada ao comportamento social são entraves para o home office.

De início, a omissão do governo é uma das causas da dificuldade para o trabalho remoto. Nesse contexto, o sociólogo e jornalista Gilberto Dimenstein afirma, em sua obra “Democracia em pedaços”, que, embora o Brasil tenha um sólido aparato legislativo, a falta de efetivação das leis na prática coíbe a cidadania. Nesse sentido, verifica-se que o postulado por Dimenstein justifica-se na não garantia de ensino de qualidade a todos. Tal fato ocorre devido ao pífio investimento do governo em escolas públicas, por meio da capacitação dos professores e fornecimento de computadores e aparatos tecnológicos para aulas de informática. Com isso, sem instrução tecnológica, muitos alunos se formam analfabetos tecnológicos, o que seria essencial no mercado de trabalho atual.

Ademais, a postura da sociedade também justifica-se como causa da problemática em questão. Nesse viés, o escritor e filósofo francês Michel Foucault afirma, em sua “Teoria dos Hábitos”, que o indivíduo é produto do meio em que está inserido. Nesse sentido, grande parte da população cresceu habituada ao trabalho presencial, e assim, repudia outra forma de trabalho imposta. Tal fato ocorre devido à lenta mentalidade social, na qual foi imposto ao indivíduo que deveria ter um local propício de trabalho, fora de sua moradia. Com isso, muitas pessoas não se adaptaram à ideia de trabalho online, e não conseguem realizar outras modalidades de trabalho.

Torna-se evidente, portanto, que a displicência do governo junto ao comportamento da sociedade potencializam a dificuldade de difundir a modalidade online de trabalho. Faz-se necessário que a União, por meio do Ministério da Educação, capacite profressores de informática e forneça materiais de estudo para todas as escolas públicas, para que, assim, os alunos tenham acesso à tecnologia e se tornem adultos letrados tecnologicamente.