Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 19/10/2022

Manoel de Barros, poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras a “Teologia do Traste”, cuja principal característica reside em tecer um dizer poético às situações frequentemente banalizadas. Seguindo essa lógica, as pessoas em situação de “home office” se encontram desamparadas por uma legislação que atenda a elas. Diante desse cenário, o labor em casa causa prejuízos para os empregados, seja pela falta de infraestrutura psicológica, seja pela flexibilidade laboral.

Sob um viés sociológico, a sociedade capitalista foi construída sobre bases exploratórias em relação ao proletariado, as quais ecoam na atualidade e se manifestam no modelo remoto de trabalho por meio de cobranças excessivas. Com isso, problemas de ordem psicológica, como depressão e síndrome de Burnout, surgem em consequência da falta de uma infraestrutura no campo do direito que atenda ao trabalhador e crie mecanismos de cuidado mental integral. Fatalmente, a violência simbólica, sem agressão física, mas com danos no corpo, altera a qualidade de vida das pessoas em ambiente familiar.

Ademais, não só a estrutura precária de amparo psicológico, mas também a ausência de estabelecimento de códigos corporais específicos do ambiente de trabalho confunde o trabalhador sobre sua identidade corporal, ou seja, a flexibilidade laboral controla o proletariado de modo a apagar o limite entre a vida pessoal e a profissional. Dessa forma, o ser é limitado ao trabalho e a atender altos padrões de desempenho, que, consequentemente, não permite o indivíduo separar carga horária do emprego e tempo livre. De acordo com Jean-Paul Sartre, a violência, independente da maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota. Nesse caso, essa “espécie” de violência impede a manifestação da cidadania.

Portanto, é indubitável que o trabalho remoto necessita de regularização. Sendo assim, é mister que o Ministério do Trabalho regulamente o modelo remoto de trabalho, por meio de debates democráticos no Congresso Nacional, a fim de estabelecer direitos e deveres para os empregados e suscitar a cidadania no contexto laboral. Então, desse modo, será possível tirar a problemática da lógica barrosiana.