Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 08/11/2022

Em 11 de março de 2020, a decretação da pandemia da covid-19 pela OMS impulsionou as corporações a adotar o “home office” como alternativa para preservar a saúde dos trabalhadores sem que houvesse perda da produtividade. Nessa conjuntura, tal fato trouxe à tona a reflexão acerca das perspectivas e desafios do trabalho remoto no Brasil. Assim, nota-se que a falta de infraestrutura e a invasão da vida pessoal despontam como desafios a serem superados.

Sob esse viés, é importante destacar, a princípio, que a carência de suporte oferecido pelas empresas dificulta o êxito da prática. Nesse sentido, é pertinente mencionar o documentário “O mundo global visto do lado de cá”, do geógrafo Milton Santos, o qual evidencia a desigualdade de acesso às ferramentas tecnológicas na sociedade brasileira. Contudo, tal panorama de assimetria de condições é negligenciado pelos empregadores, uma vez que esses, muitas vezes, não se responsabilizam pelas dificuldades de conexão com a internet ou pela má qualidade dos aparelhos utilizados pelos funcionários em seus domicílios. Dessa maneira, compromete-se o rendimento dos serviços.

Outrossim, vale ressaltar que essa modalidade fomenta a apropriação do âmbito privado dos indivíduos. Sob esse prisma, é fulcral reportar ao filme estadunidense “Coraline e o mundo secreto”, em que os pais da protagonista - os quais exercem suas atividades profissionais no ambiente doméstico - vivem em constante sobrecarga de tarefas e, por isso, não são capazes de dedicar tempo para a filha. Similarmente à ficção, verifica-se que o labor remoto prejudica a distinção entre trabalho e vida pessoal, visto que essa categoria torna os sjueitos mais suscetíveis à ampliação do expediente. Dessa forma, insta a mitigação do impasse.

Depreende-se, portanto, que a carência de subsídios e a invasão da vida privada constituem facetas do óbice. Urge, então, que o Estado - instituição encarregada do bem-estar dos cidadãos - promova a responsabilização das empresas adeptas do “home office” pelas condições de trabalho dos funcionários remotos, por intermédio da elaboração de leis específicas para essa modalidade, a fim de coibir o aumento excessivo das jornadas e oportunizar aos trabalhadores a infraestrutura adequada à realização das atividades. Dessarte, dirimir-se-ão tais problemáticas.