Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil
Enviada em 29/06/2023
Se a Revolução Industrial no século XVII gerou infindas jornadas trabalhistas, hoje a existência de leis garante o equilíbrio no trabalho. Apesar disso, com as evoluções do mundo globalizado e o surgimento de novos modelos de trabalho, coloca-se em pauta os esafios do trabalho remoto no país. Uma vez que o alto índice de horas trabalhadas e o vínculo entre teletrabalho e a terceirização não assistida por lei de serviços pode gerar prejuízos ao trabalhador.
Primeiramente, é válido destacar que a Reforma Trabalhista de 2017 instituiu o regime de 44 horas trabalhadas semanais, as quais presencialmente podem ser facilmente contabilizadas. Entretanto, a falta de organização pessoal no regime on-line de trabalho e o sentimento capitalista de necessidade de entregar mais resultados às empresas geram expedientes muito maiores. Tal fato pode se relacionar com o pensamento do filósofo Nietzsche, o qual trazia que aqueles que amam demasiado o trabalho possuem neste a sua própria maldição, isso porque tendem a investir mais tempo em construir uma carreira dos sonhos do que cuidar de sua saúde física e mental.
Somado a isso, a flexibilização dos formatos de trabalho junto com a facilidade de se tornar um profissional autônomo (Microempreendedor Individual - MEI) perante à Receita Federal gera uma grande atenção ao govero. Isso porque, organizações têm buscado modelos de contratação os quais não se enquadram nas Condições das Leis Trabalhistas e não garante proteção ao trabalhador, ao passo que as empresas isentam-se de qualquer responsabilidade perante ao colaborador.
Convém inicialmente, portanto, a criação de mecanismos de proteção aos teletrabalhadores, como sindicatos de trabalhadores remotos para atuar como aliado aos colaboradores frente à possíveis retaliações. Além disso, a área de recursos humanos das empresas necessitam se modernizar, com isso, o governo deve ofertar cursos gratuitos de capacitação da gestão de pessoas no modelo virtual e como trabalhar a saúde mental nessas realidades. Por fim, devem ser realizadas reuniões entre o poder político, corporações e sindicatos trabalhistas para visualizar soluções à problemática da terceirzação da jornada de trabalho.