Perspectivas e desafios do trabalho remoto em questão no Brasil

Enviada em 13/12/2023

A expressão “Trabalhe enquanto eles dormem.” é uma adaptação de um provér-bio japonês que passa a seguinte mensagem: Quem se dedica às atividades labo-rais, e também abdica de suas necessidades básicas, prospera! Entretanto, essa estratégia não tem se mostrado eficaz aos trabalhadores do mundo real, uma vez que gera imenso desgaste físico e mental, a ponto de promover o completo esgo-tamento do indivíduo, processo chamado de “Burnout”. Assim, com a chegada do “Home Office”, durante a pandemia de Covid-19, a modalidade de trabalho remo-to revolucionou a rotina dos brasileiros e permaneceu nos tempos atuais como uma alternativa menos extenuante aos profissionais. Porém, também trouxe con-sigo desafios que merecem uma análise aprofundada.

Em primeiro plano, o desequilíbrio entre horas de lazer e de trabalho figura co-mo importante consequência do trabalho remoto, pois os indivíduos ultrapassam seus limites com intenção de mostrar produtividade. Segundo dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Die-ese), 70% dos trabalhadores remotos afirmam que, em 2020 e 2021, trabalharam mais do que a jornada contratada. Logo, o cenário evidencia uma situação alar-mante de sobrecarga dos trabalhadores e exige uma providência imediata.

Além disso, a redução de socialização entre colegas de trabalho representa ou-tro fator preocupante. De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econô-mica Aplicada (Ipea), cerca de 20,5 milhões de pessoas trabalham de forma remo-ta no Brasil. Portanto, os dados mostram um considerável número de indivíduos privados da oportunidade de conviver com outros funcionários e criar vínculos.

Nesse sentido, o Ministério do Trabalho deveria criar um projeto organizador, por meio do qual apresentaria um modelo padrão de jornadas que alternassem períodos de trabalho com descanso e também estabeleceria um horário-limite

para a realização das atividades profissionais, a fim de determinar um ritmo salu-bre aos trabalhadores. Ademais, seriam realizadas confraternizações, quinzenal-mente, para promover o entrosamento entre os indivíduos. Dessa forma, o Brasil caminhará para um futuro tão tecnológico, quanto repleto de possibilidades pro-fissionais para seus cidadãos.