Perspectivas e desafios para o empreendedorismo feminino
Enviada em 07/09/2024
Historicamente, as mulheres tiveram pouca participação no mercado de traba-lho. Outrossim, embora o cenário tenha se modificado recentemente, ainda existe grande disparidade de gênero no empreendedorismo. Nesse sentido, faz-se neces-cessário o debate acerca da inserção feminina nesse segmento, sob o prisma de que a perspectiva é de crescimento, mas conta com os desafios de um nicho ocu-pado eminentemente por homens.
Primeiramente, cabe ressaltar o aumento da participação das mulheres como empresárias. Nesse cenário, destaca-se Luiza Trajano, presidente da gigante Ma-gazine Luiza, apontada pela revista Forbes como uma das mulheres mais ricas do mundo e grande fomentadora da inclusão das mulheres em cargos de chefia em sua empresa. Diante dessas iniciativas, denota-se a tendência de alta no que tange à participação feminina em cargos de liderança como empresárias, observado que, quando nessas posições, elas tendem a incentivar outras a trilharem o mesmo ca-minho.
Ademais, apesar da perspectiva de crescimento da participação das mulheres no empreendedorismo, é necessário destacar a ausência de medidas governamen-tais que visem a inclusão das mulheres como empreendedoras. A Constituição Fe-deral assegura, em seu artigo 5º, que é livre o exercício de qualquer trabalho ou profissão, nos termos do que a lei estabelecer. No entanto, esse preceito não é ve-rificado na prática, eis que, apesar de as mulheres atuarem em uma ampla gama de nichos de mercado, muitos negócios administrados por elas exigem licenças de-masiadamente burocráticas, como salões de beleza. Consequentemente, cria-se grande obstáculo à exploração de um nicho muito lucrativo e bastante ligado à i-dentidade feminina, sendo certo que as autoridades precisam rever esse dilema.
Portanto, resta evidente o aumento da participação das mulheres como empre-sárias, mas ainda existem desafios. Assim, o Ministério da Economia deve criar, me-diante verbas governamentais, um comitê permanente de participação feminina no empreendedorismo. Tal órgão seria composto por gestores públicos e grandes em-presárias, com atuação nacional, com a finalidade de desburocratizar licenças e fo-mentar a liderança feminina para, então, atingir a isonomia para com os homens.