Play-to-earn: os problemas dos jogos para lucrar, e não mais se divertir

Enviada em 21/10/2022

Na produção literária “Jogador número 1” de Ernest Cline, é retratado um futuro distópico em que a sociedade vive a maior parte do tempo dentro de uma realidade virtual. Ao longo da trama, ao surgir um desafio que força algumas pessoas a irem para o mundo real, fica evidente o quao alienados todos se tornaram e como essa realidade trucidou os meios de socialização reais e normais. Tal realidade, se assemelha com a atual devido a nova forma de jogo Play-to-earn, em que, a já recorrente alienação por jogos se mistura com a ideia de lucro. Logo, é necessário discutir os problemas dos jogos para lucrar, como a semelhança com os jogos de azar e a crição de uma nova elite virtual.

Primordialmente, há a igualdade com os jogos de azar devido a ideia lucrativa e seus riscos. Uma vez que, em 1946 a lei brasileira proíbiu os jogatinas de azar que, segundo o ex-presidente Dutra “Se trata de algo degradante para o ser humano”, dessa forma, os modelos de jogos NFTs se assemelha muito com esse tipo de loteria. Assim que, sempre haverá um ganhador em detrimento de um perdedor, exatamente como a definição de jogos de azar. Desse modo, é ilógico a legalização dessa nova prática.

Ademais, vale salientar o surgimento de uma elite virtual. Sob este viés, assim como qualquer surgimento de sociedade baseada no capital, mesmo neste caso sendo online, haverá sempre uma parcela das pessoas que serão mais benefíciadas. Nesse sentido, aqueles que forem mais bem remunerados dentro dos jogos muito provavelmente serão benefíciados, cunhando um cenário de privilégios e elitização, logo a questão se torna um problema assim que, segundo Martin Luther King, “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”.

Portanto, é necessário que o governo juntamente com o Supremo Tribunal Federal (STF) trabalhe para configurar os jogos de Play-to Earn na mesma instáncia que os jogos de azar. Essa ação deve ser feita por meio de auxílios de profissionais da area, como sociólogos e tecnicos de TI, que investiguem os riscos desses jogos para que se possa resolver essa loteria virtual. Somente assim, será possivel evitar um futuro como o previsto por Ernest Cline.