Play-to-earn: os problemas dos jogos para lucrar, e não mais se divertir

Enviada em 27/10/2022

“O homem nasceu livre, em em toda parte se encontra acorrentado”. Essa reflexão trazida pelo filósofo francês Jean Jacques Rousseau, pode ser associada à problemática da conflituosa relação estabelecida entre entretenimento e faturamento financeiro, a qual pode ser responsável por gerar dependência por lucros a despeito da diversão e bem-estar.

Desde a formação do trato social, é possível denotar o quão o modelo econômico vigente estimula a superprodução e geração de riqueza.Essa análise pode ser relacionada ao entendimento do sociólogo alemão Karl Marx o qual elucidava, em sua obra, “O capital” a relação complexa entre trabalho e bem-estar, uma vez que estabelecia uma visão de um mundo movido por ações que buscavam o ganho monetário não está preocupado em promover qualquer benefício para a saúde do indivíduo. Outrossim, é importante mostrar o quanto a questão do uso dos jogos para fins lucrativos é um problema, pois estabelece um comportamento de tamanha dependência que promove o surgimento do vício, uma atitude compulsiva e nociva aos seres humanos. Essa assertiva pode ser ratificada através de dados coletas por uma pesquisa realizada pelo Serviço de Regulação e Inspeção de Jogo (SRIJ) de Portugal, o qual exibe a crescente busca dos jovens por atividades recreativas que visam o ganho financeiro.

Ademais, outro fator que exprime o quanto há malefícios em combinar essas duas pautas: diversão e lucro financeiro, é o surgimento da síndrome de burnout, um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico. Essa assertiva pode ser relacionada com a pesquisa realizada pela OMS -Organização Mundial da Saúde- durante o período pandêmico, a qual expressar a diminuição da qualidade de vida dos profissionais de saúde que trabalhavam sob o estresse de conviver diariamente com o dilema de garantir seu sustento, por meio da prestação de seus serviços, e separar um tempo para cuidar da psique.

Destarte, faz-se necessária a atuação de educadores na proposição do tema como pauta de debates a serem feitos no âmbito acadêmico, como também nas redes sociais, para que essa questão obtenha mais visibilidade. Desse modo,haverá um maior alcance popular para enriquecer as argumentações e garantir a cidadania.