Play-to-earn: os problemas dos jogos para lucrar, e não mais se divertir

Enviada em 02/11/2022

Os jogos eletrônicos são importantes agentes de lazer na vida dos jovens e adultos. No entanto, com o surgimento dos jogos baseados em blockchain, que possibilitam a capitalização, por meio de tokens, ao jogar, criou-se novas e infelizes categorias de especulação monetária e de trabalho informal.

Primeiramente, é válido ressaltar o caráter especulativo dos jogos com blockchain, que requerem um investimento inicial para a compra de personagens, itens ou moedas que permitam a capitalização dentro do jogo. Esse modelo, promete grandes lucros, porém, está atrelado a grandes perdas. Segundo o Dapp Radar, essa categoria de jogo acumula um prejuízo de mais de 90% em seus tokens, que perdem seu valor quando os jogos ficam impopulares ou são abandonados. Dessa forma, os usuários desamparados pela legislação perdem quase todo seu capital investido por pura especulação.

Ademais, tem-se a informalização do trabalho, que nasce dá impossibilidade de fazer o investimento inicial por parte dos usuários mais pobres. Portanto, eles recorrem as “scholarships” (Organizações que cedem contas com investimentos a outros usuários), que oferecem contas em troca da repartição dos lucros e do cumprimento de metas, que exigem longas e repetitivas jornadas de trabalho. Esses trabalhadores, além de mal remunerados, ficam suscetíveis a doenças psicológicas, advindas do estresse, e inflamações nos tendões, como a tendinite, pela longa exposição à atividades repetitivas.

Assim, é imprescindível que o Estado, por meio do projeto “Fiscaliza Brasil”, regulamente e fiscalize os jogos baseados em blockchain de caráter especulativo, a fim de combater o trabalho informal criado por esses jogos e combater, também, a perda do capital massiva do capital dos usuários. Dessa maneira, espera-se que os jogadores possam desfrutar de forma prazerosa e segura dos jogos eletronicos.