Play-to-earn: os problemas dos jogos para lucrar, e não mais se divertir

Enviada em 27/10/2022

Observa-se que muitas discussões têm ocorrido acerca da pouca importância dada aos problemas dos jogos para lucrar. O “play-to-earn” chama atenção por ser uma forma simples e acessível de ganhar dinheiro. Isso ocorre devido à banalização do assunto e ao silenciamento midiático sobre esse viés.

Em primeiro lugar, conforme o conceito de “Banalidade do mal”, trazido pela filósofa Hanna Arendt, quando uma atitude hostil ocorre constantemente, a sociedade passa a vê-la como banal. Desse modo, isso evidencia a irracionalidade e o descaso dos indivíduos em relação às consequências desses jogos, configurando a trivialização do assunto que, para Arendt, ocorre quando há falta de reflexão sobre os males ao redor das pessoas. Nesse viés, por ser uma alternativa fácil de remuneração, os indivíduos passam horas jogando em troca de dinheiro, sem se atentar com os desdobramentos que isso causa, como exaustão física e mental, superior à obtida em um emprego convencional, o que ocasiona normalização do trabalho compulsório.

Em segundo lugar, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Dessa forma, a mídia, ao invés de promover debates que elevem o nível de conhecimento do povo acerca do “play-to-earn”, lamentavelmente, influencia a população à instalar esses jogos, já que- em redes sociais, programas de Tv- há propagandas estimulando o uso desses aplicativos, sem mencionar os riscos que eles proporcionam à saúde. Ademais, a divulgação de alertas sobre o assunto é essencial para que as pessoas desenvolvam senso crítico para não ultrapassar limites de cansaço e movimentos repetitivos, por exemplo, caso contrário, essas novas plataformas crescerão em detrimento da qualidade de vida dos jogadores.

Portanto, o governo -Ministério da saúde-, em parceria com as mídias, deve destinar investimentos para desenvolver projetos contra o uso excessivo de jogos lucrativos. Essa ação ocorrerá por meio de campanhas informativas em redes sociais- Facebook e Instagram- e em emissoras televisivas- documentários e reportagens. Esse ato terá como finalidade não só reduzir a banalização do tema, bem como sensibilizar e incentivar discussões sobre o assunto.